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Calculadora de Diluição de Medicamento

Calcule o volume de medicamento a aspirar e a concentração final após diluição usando a fórmula C1V1=C2V2. Ferramenta essencial para enfermagem e farmácia.

Diluição de Medicamento

Insira os dados do frasco e da prescrição

mg/mL
mL
mg
mL

Usado para calcular concentração final após diluição secundária

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O que é diluição de medicamentos?

A diluição de medicamentos é um procedimento farmacêutico essencial que consiste em adicionar um líquido diluente a um medicamento concentrado (sólido ou líquido) para obter uma concentração específica adequada à administração segura ao paciente.

Este processo é crucial em ambientes hospitalares e clínicos, sendo responsabilidade de enfermeiros e farmacêuticos. A diluição correta garante que a dose prescrita seja administrada com precisão, evitando subdosagem (ineficácia terapêutica) ou superdosagem (toxicidade).

A diluição envolve conceitos matemáticos de proporção e pode ser realizada em uma ou duas etapas: primeiro a reconstituição (transformar pó em líquido) e depois a diluição secundária (ajustar a concentração para administração). A técnica asséptica é obrigatória em todas as etapas para prevenir contaminação.

Reconstituição vs Diluição

Embora frequentemente usados como sinônimos, esses termos têm significados distintos na prática farmacêutica:

Reconstituição: É o processo inicial de adicionar diluente (geralmente Água para Injeção ou Soro Fisiológico) a um medicamento em pó liofilizado para transformá-lo em solução injetável. O volume de diluente a adicionar e a concentração resultante são especificados pelo fabricante na bula.

Exemplo de reconstituição: Um frasco de antibiótico com 1g de pó + 10mL de água = solução de 100mg/mL. Porém, devido ao volume de deslocamento do pó, o volume final pode ser 10,5mL ou 11mL, resultando em concentração ligeiramente diferente (ex: 95mg/mL).

Diluição: É a adição de mais diluente a uma solução já reconstituída ou já líquida para reduzir sua concentração. Isso é necessário quando a concentração inicial é muito alta para a via de administração ou volume desejado.

Exemplo de diluição: Após reconstituir um frasco para 100mg/mL, você precisa administrar 500mg via IV diluídos em 100mL. Aspira-se 5mL da solução (500mg) e adiciona-se a 95mL de SF 0,9%, obtendo concentração final de 5mg/mL.

Fórmula C1V1 = C2V2

A fórmula C1V1 = C2V2 é a equação fundamental para cálculos de diluição em química e farmácia. Ela expressa o princípio de que a quantidade total de soluto (medicamento ativo) permanece constante antes e depois da diluição.

Onde:

  • C1: Concentração inicial (mg/mL, mcg/mL, UI/mL, etc.)
  • V1: Volume inicial (mL)
  • C2: Concentração final desejada (mesma unidade de C1)
  • V2: Volume final desejado (mL)

Exemplo prático 1: Você tem insulina a 100UI/mL e precisa preparar 10mL de solução a 10UI/mL para infusão. Quanto de insulina concentrada usar?

C1×V1 = C2×V2 → 100 UI/mL × V1 = 10 UI/mL × 10 mL → V1 = 1 mL

Resposta: Aspirar 1mL da insulina concentrada e adicionar 9mL de SF 0,9%.

Exemplo prático 2: Um frasco reconstituído tem 500mg em 5mL (100mg/mL). Você precisa de uma dose de 750mg. Quanto aspirar?

Volume = Dose ÷ Concentração = 750mg ÷ 100mg/mL = 7,5mL

Como o frasco tem apenas 5mL, você precisaria de 1 frasco e meio (ou 2 frascos).

Boas práticas de preparo de medicamentos

O preparo seguro de medicamentos injetáveis segue protocolos rigorosos para garantir segurança, eficácia e qualidade:

1. Verificação pré-preparo (9 certos):

  • Paciente certo (nome completo, data de nascimento, pulseira de identificação)
  • Medicamento certo (conferir nome, apresentação, lote)
  • Dose certa (conferir prescrição, fazer cálculo duplo se dose pediátrica ou medicamento de alta vigilância)
  • Via certa (IV, IM, SC — nunca trocar)
  • Horário certo (respeitar intervalos terapêuticos)
  • Registro certo (documentar administração imediatamente)
  • Orientação certa (explicar ao paciente)
  • Validade certa (verificar prazo antes e após reconstituição)
  • Forma farmacêutica certa (ampola, frasco-ampola, etc.)

2. Técnica asséptica:

  • Higienizar as mãos antes e depois do procedimento
  • Trabalhar em superfície limpa e desinfetada
  • Friccionar o gargalo da ampola/tampa do frasco com álcool 70% por 30 segundos
  • Usar agulhas e seringas estéreis, descartáveis e de uso único
  • Não tocar na ponta da agulha ou parte interna da seringa
  • Preparar medicamentos fotossensíveis protegendo da luz

3. Rotulagem e armazenamento:

  • Rotular a seringa com: nome do medicamento, dose, via, data/hora de preparo, nome do profissional
  • Medicamentos reconstituídos têm validade reduzida (verificar bula: algumas são 24h sob refrigeração, outras apenas 1h em temperatura ambiente)
  • Armazenar conforme especificações (geladeira 2-8°C ou temperatura ambiente)

Erros comuns e prevenção

Os erros na diluição de medicamentos são uma das principais causas de eventos adversos evitáveis em hospitais. Conhecer os erros mais comuns é fundamental para preveni-los:

1. Confusão entre dose e volume:

Erro: Prescrição de "500mg de antibiótico". O profissional administra 500mL em vez de calcular o volume correto baseado na concentração.

Prevenção: Sempre calcule o volume usando a fórmula Volume = Dose ÷ Concentração. Se a dose prescrita está em mg e o frasco em mg/mL, o resultado será em mL.

2. Não considerar o volume de deslocamento:

Erro: Adicionar 10mL de água a um frasco de 1g e assumir que a concentração é 1000mg÷10mL = 100mg/mL. Na realidade, o pó desloca volume e o volume final é 10,8mL, resultando em ~92,6mg/mL.

Prevenção: Sempre consultar a bula para saber o volume final após reconstituição. Use esse volume no cálculo da concentração.

3. Diluente incompatível:

Erro: Usar Soro Glicosado para medicamentos que precipitam em glicose, ou água destilada pura para medicamentos que exigem isotonia.

Prevenção: Sempre verificar na bula qual diluente é compatível. Em caso de dúvida, consulte o farmacêutico.

4. Cálculo incorreto:

Erro: Inversão de valores na fórmula, uso de unidades incompatíveis (mg com mcg), arredondamentos excessivos.

Prevenção: Refaça o cálculo duas vezes ou peça a outro profissional para conferir. Use calculadoras validadas. Se o resultado parecer estranho (ex: volume muito grande ou muito pequeno), refaça o cálculo.

5. Falta de rotulagem:

Erro: Preparar várias seringas sem identificação, levando à troca de medicamentos ou doses.

Prevenção: Rotular imediatamente após o preparo. Nunca deixe seringas prontas sem identificação clara.

6. Validade expirada pós-reconstituição:

Erro: Usar medicamento reconstituído há mais tempo que o permitido pela bula (ex: algumas cefalosporinas perdem estabilidade após 24h).

Prevenção: Anotar data e hora da reconstituição no frasco. Descartar após o prazo indicado na bula, mesmo que refrigerado.

Perguntas Frequentes

Como calcular o volume de medicamento a aspirar?
O volume a aspirar é calculado pela fórmula: Volume (mL) = Dose prescrita (mg) ÷ Concentração do frasco (mg/mL). Por exemplo, se a dose prescrita é 500mg e o frasco tem concentração de 100mg/mL, você deve aspirar 5mL. Sempre verifique a concentração após a reconstituição do pó.
O que é a fórmula C1V1 = C2V2?
C1V1 = C2V2 é a fórmula universal de diluição, onde C1 é a concentração inicial, V1 o volume inicial, C2 a concentração final desejada e V2 o volume final. É usada para calcular quanto diluente adicionar para obter uma concentração específica. Exemplo: para diluir 10mL de solução a 100mg/mL para 50mg/mL, você precisa de um volume final de 20mL (adicionar 10mL de diluente).
Qual a diferença entre reconstituição e diluição?
Reconstituição é o processo de adicionar diluente a um medicamento em pó para transformá-lo em líquido injetável, obtendo a concentração inicial do fabricante. Diluição é a adição de mais diluente a uma solução já reconstituída ou líquida para reduzir sua concentração antes da administração. Ambas exigem técnica asséptica rigorosa.
Quais são os diluentes mais usados?
Os diluentes mais comuns são: Água para Injeção (API), Soro Fisiológico 0,9% (SF 0,9%), Soro Glicosado 5% (SG 5%) e Água Bacteriostática. A escolha depende do medicamento e da via de administração. Sempre consulte a bula do medicamento para saber qual diluente é compatível e qual a concentração máxima permitida.
Como garantir a segurança no preparo de medicamentos?
A segurança envolve múltiplas etapas: conferir os 9 certos (paciente, medicamento, dose, via, horário, registro, orientação, validade e forma farmacêutica), higienizar as mãos, usar técnica asséptica, conferir cálculos duas vezes (idealmente com outro profissional), rotular a seringa com medicamento, dose e horário, e descartar materiais corretamente. Nunca administre se tiver dúvidas.
Quais são os erros mais comuns na diluição de medicamentos?
Os erros mais frequentes incluem: confundir dose prescrita com volume a administrar, usar diluente incompatível, não considerar o volume de deslocamento do pó (que aumenta o volume final), calcular errado a concentração após reconstituição, não identificar corretamente a seringa, e não observar o prazo de validade após reconstituição. Sempre recalcule e peça ajuda em caso de dúvida.
O que é volume de deslocamento?
Volume de deslocamento é o volume adicional que o pó seco ocupa quando dissolvido em diluente. Por exemplo, ao adicionar 10mL de água a um frasco de antibiótico em pó, o volume final pode ser 11mL ou 12mL devido ao deslocamento. Esse volume final deve ser considerado no cálculo da concentração. A bula do medicamento sempre informa o volume final após reconstituição.