Pular para o conteúdo

Calculadora de Dosagem Pediátrica

Calcule a dosagem pediátrica correta por peso (mg/kg) ou superfície corporal (mg/m²). Verificação automática de dose máxima e cálculo de volume a administrar.

Dosagem Pediátrica

Insira os dados da criança e da prescrição

kg
mg/kg
mg
mg/mL

Calculadoras Relacionadas

Saiba mais

Importância da dosagem correta em pediatria

A dosagem pediátrica precisa é fundamental para a segurança e eficácia do tratamento. Crianças não são adultos pequenos — elas têm características farmacocinéticas e farmacodinâmicas únicas que exigem atenção especial ao calcular doses de medicamentos.

Erros de medicação em pediatria podem ocorrer em até 5-27% das prescrições, segundo estudos internacionais. As principais causas incluem: erros de cálculo matemático, interpretação incorreta de unidades (mg vs mcg, mL vs gotas), uso de peso desatualizado e falta de verificação da dose máxima.

O impacto de um erro de dose em crianças é potencialmente mais grave que em adultos devido ao menor peso corporal, imaturidade hepática e renal, e maior proporção de água corporal. Por exemplo, um erro de cálculo de 10 vezes (dar 10 mL ao invés de 1 mL) pode ser fatal em um lactente, enquanto seria menos provável em um adulto.

Medidas de segurança essenciais: sempre use o peso atualizado (medido nas últimas 24-48h para internados, 1-3 meses para ambulatoriais), confira a dose máxima na bula ou referência confiável, peça dupla checagem independente para medicamentos de alto risco, e use dispositivos de medição apropriados (seringas calibradas, não colheres domésticas).

Métodos de cálculo: mg/kg vs mg/m²

Existem dois métodos principais para calcular doses pediátricas: dose por peso (mg/kg) e dose por superfície corporal (mg/m²). Cada um tem indicações específicas e vantagens.

Dosagem por peso (mg/kg):

  • Método mais comum e simples: multiplica-se o peso da criança pela dose prescrita por kg
  • Adequado para a maioria dos medicamentos: antibióticos, analgésicos, antipiréticos, broncodilatadores
  • Funciona bem para crianças com proporções corporais normais
  • Pode superestimar doses em crianças obesas (usar peso ideal ou ajustado nestes casos)

Dosagem por superfície corporal (mg/m²):

  • Correlaciona melhor com função metabólica, taxa de filtração glomerular e débito cardíaco
  • Indicada para medicamentos com janela terapêutica estreita: quimioterápicos, alguns anticonvulsivantes, digoxina
  • Requer medida de peso e altura, calculados pela fórmula de Mosteller: √(altura_cm × peso_kg / 3600)
  • Mais precisa em extremos de idade/peso e em neonatos

Em geral, use mg/kg para medicamentos comuns e mg/m² quando especificamente prescrito ou para medicamentos de alto risco. Sempre confira qual método a prescrição indica e se há dose máxima estabelecida.

Superfície corporal em pediatria: fórmula de Mosteller

A superfície corporal (BSA ou SC) é expressa em metros quadrados (m²) e representa a área total da superfície do corpo. Em pediatria, a fórmula mais utilizada é a de Mosteller devido à sua simplicidade e precisão.

Fórmula de Mosteller:
BSA (m²) = √(altura_cm × peso_kg / 3600)

Exemplo: uma criança de 90 cm e 12 kg tem BSA de √(90 × 12 / 3600) = √(0,3) = 0,55 m². Se a dose prescrita é 100 mg/m², a dose total será 0,55 × 100 = 55 mg.

Valores de referência:

  • Recém-nascidos (3 kg, 50 cm): ~0,2 m²
  • Lactentes 6 meses (7 kg, 65 cm): ~0,35 m²
  • Criança 5 anos (18 kg, 110 cm): ~0,72 m²
  • Criança 10 anos (32 kg, 140 cm): ~1,1 m²
  • Adolescente 15 anos (55 kg, 165 cm): ~1,6 m²
  • Adulto médio (70 kg, 170 cm): ~1,8 m²

A vantagem da BSA é que ela cresce de forma não-linear com a idade, refletindo melhor as mudanças na função metabólica. Por isso, medicamentos que dependem fortemente do metabolismo hepático ou excreção renal são frequentemente dosados por m².

Atenção: sempre use altura e peso atualizados e medidos, não estimados ou informados pelos pais. Um erro de 10% na altura ou peso pode resultar em erro de dose significativo.

Erros de medicação pediátrica e como prevenir

Erros de medicação pediátrica são uma preocupação importante de segurança do paciente. Estudos mostram que as taxas de erro em pediatria são 3 vezes maiores que em adultos, principalmente devido à necessidade de cálculos individualizados.

Tipos mais comuns de erros:

  • Erro de cálculo (35-40%): Erro matemático na multiplicação/divisão, troca de unidades, uso de vírgula vs ponto decimal
  • Erro de dose (25-30%): Dose 10 vezes maior ou menor, não verificação de dose máxima, confusão entre dose/kg e dose total
  • Erro de preparo (15-20%): Diluição incorreta, medição imprecisa do volume, uso de dispositivo inadequado
  • Erro de prescrição (10-15%): Prescrição ambígua, abreviações perigosas, falta de especificação da concentração

Estratégias de prevenção:

  • Dupla checagem independente: Dois profissionais calculam separadamente e comparam resultados, especialmente para medicamentos de alto risco
  • Uso de calculadoras validadas: Ferramentas eletrônicas reduzem erros de cálculo, mas sempre confira mentalmente se o resultado faz sentido
  • Prescrição eletrônica com alertas: Sistemas que bloqueiam doses fora da faixa recomendada e fornecem doses sugeridas por peso
  • Padronização de concentrações: Usar sempre as mesmas apresentações/diluições na instituição reduz confusão
  • Lista de medicamentos de alto risco:Identificar medicamentos que exigem atenção especial (insulina, heparina, opioides, quimioterápicos)

Em caso de dúvida sobre qualquer aspecto da dosagem, SEMPRE consulte o farmacêutico ou médico antes de administrar. Nunca assuma ou "arredonde" doses sem verificação profissional.

Particularidades farmacocinéticas na criança

Crianças apresentam diferenças farmacocinéticas significativas em relação a adultos, afetando absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME) de medicamentos.

Absorção:

  • pH gástrico mais alto em neonatos (4-5 vs 1-3 em adultos), afetando absorção de medicamentos ácido-sensíveis
  • Esvaziamento gástrico mais lento em recém-nascidos, podendo atrasar início de ação de medicamentos orais
  • Absorção intramuscular pode ser errática em neonatos devido a menor perfusão muscular

Distribuição:

  • Maior proporção de água corporal em neonatos (75-80% vs 60% em adultos), exigindo doses maiores/kg para medicamentos hidrossolúveis
  • Menor gordura corporal, afetando volume de distribuição de medicamentos lipossolúveis
  • Barreira hematoencefálica mais permeável em recém-nascidos, aumentando risco de toxicidade neurológica
  • Menor ligação a proteínas plasmáticas, resultando em mais fração livre (ativa) do medicamento

Metabolismo:

  • Imaturidade das enzimas hepáticas (CYP450) em neonatos, prolongando meia-vida de muitos medicamentos
  • Atividade enzimática aumenta gradualmente nos primeiros anos de vida, algumas vezes excedendo níveis adultos (crianças 2-6 anos metabolizam mais rápido que adultos)
  • Glucuronidação (importante para paracetamol) é imatura em neonatos, aumentando risco de toxicidade

Excreção:

  • Taxa de filtração glomerular é 30-40% da adulta ao nascimento, atingindo níveis adultos aos 6-12 meses
  • Medicamentos de excreção renal (antibióticos, digoxina) exigem ajuste de dose e intervalo em neonatos
  • Função tubular renal também é imatura, afetando secreção e reabsorção

Essas particularidades explicam por que não se pode simplesmente reduzir proporcionalmente a dose adulta. Cada medicamento deve ter dosagem pediátrica estabelecida por estudos clínicos específicos, considerando a faixa etária.

Perguntas Frequentes

Como calcular a dosagem pediátrica por peso?
A dosagem por peso é calculada multiplicando o peso da criança (em kg) pela dose prescrita por kg (mg/kg). Por exemplo: uma criança de 15 kg que precisa de 10 mg/kg receberá 150 mg. Sempre verifique se a dose calculada não excede a dose máxima recomendada.
O que é superfície corporal (BSA) em pediatria?
A superfície corporal (BSA ou SC) é uma medida em metros quadrados (m²) calculada a partir do peso e altura. A fórmula de Mosteller é a mais usada: √(altura_cm × peso_kg / 3600). Alguns medicamentos pediátricos são dosados por m² ao invés de por kg, especialmente quimioterápicos.
Qual a diferença entre mg/kg e mg/m²?
Mg/kg dosa o medicamento proporcionalmente ao peso corporal, sendo mais simples e usado na maioria dos casos. Mg/m² dosa pela superfície corporal e é mais preciso para medicamentos com janela terapêutica estreita, pois a SC correlaciona melhor com função metabólica que o peso isolado.
Como saber a dose máxima pediátrica?
A dose máxima deve ser consultada na bula do medicamento ou em referências como o BNF Pediátrico ou protocolos institucionais. Mesmo que o cálculo por peso resulte em dose maior, NUNCA deve exceder a dose máxima estabelecida. Em caso de dúvida, consulte sempre o farmacêutico ou médico.
Como calcular o volume a administrar?
O volume (em mL) é calculado dividindo a dose (em mg) pela concentração do medicamento (em mg/mL). Por exemplo: 150 mg de dose com concentração de 50 mg/mL = 3 mL. Sempre confira a concentração no rótulo do frasco e use seringa adequada para a precisão necessária.
É seguro administrar volumes menores que 0,1 mL?
Volumes menores que 0,1 mL requerem seringas de precisão (como seringas de insulina) e técnica cuidadosa. Se o volume calculado for muito pequeno, considere diluir o medicamento (quando permitido) ou consultar o farmacêutico sobre alternativas de apresentação ou via de administração.
Por que a dupla checagem é importante em pediatria?
Erros de medicação pediátrica podem ter consequências graves devido ao menor peso corporal e imaturidade metabólica das crianças. A dupla checagem independente por dois profissionais reduz significativamente o risco de erros de cálculo, interpretação de prescrição ou preparo do medicamento.