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Economia
5 min de leitura

China em 2026: terá fôlego para galopar? Impactos ao Brasil

Especialistas consultados pelo InfoMoney afirmam que os pacotes de estímulo chineses evitaram um colapso sistêmico no imobiliário, mas a demanda doméstica segue fraca, levando a China a exportar deflação. Setores como siderurgia, mineração e frigoríficos brasileiros podem sofrer pressões.

InfoMoney

17 de fevereiro de 2026

China em 2026: terá fôlego para galopar? Impactos ao Brasil

China em 2026: terá fôlego para galopar? Impactos ao Brasil

Ponto principal

Apesar de pacotes de estímulo que reduziram o risco de colapso no setor imobiliário, a China ainda convive com demanda interna fraca e excesso de capacidade industrial, o que a leva a "exportar deflação" — com efeitos diretos sobre indústria, commodities e frigoríficos brasileiros. Fonte: InfoMoney (Leonardo Guimarães, 17/02/2026).

A entrada do Ano do Cavalo de Fogo na China ocorre em um momento de dúvidas sobre a sustentação do crescimento da segunda maior economia mundial. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que medidas estatais agressivas evitaram o pior no setor imobiliário, mas o desequilíbrio crônico entre oferta e demanda persiste e deve influenciar preços e demanda globais — com repercussões para o Brasil.

5%
Crescimento da China (ano anterior)
Dentro da meta do governo
40 meses
Queda consecutiva do PPI
Produção industrial com excesso de capacidade
0,2%
Inflação ao consumidor (jan)
Variação anual em janeiro
17,2%
Queda do investimento imobiliário
Redução citada por analistas

Por que a atividade chinesa preocupa?

Segundo a reportagem do InfoMoney, apesar do crescimento de 5% no ano anterior — número alinhado à meta oficial — a economia chinesa convive com um problema estrutural: oferta industrial acima da demanda doméstica. O índice de preços ao produtor (PPI) recuou pelo 40º mês seguido, sinalizando que fábricas trabalham com capacidade ociosa. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao consumidor (IPC) subiu apenas 0,2% em janeiro na comparação anual e as vendas no varejo crescem no ritmo mais lento desde o choque da pandemia de Covid-19, em 2020.

Medidas do governo e o setor imobiliário

Fontes entrevistadas pelo InfoMoney avaliam que os pacotes de estímulo do governo chinês foram capazes de reduzir "a praticamente zero" o risco de um colapso sistêmico no setor imobiliário, evitando quebras em cascata. Para Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos, a ação estatal trouxe previsibilidade ao mercado global. Ainda assim, a estabilização do segmento não implica retorno pleno à expansão: as vendas de imóveis novos atingiram o nível mais baixo em mais de 15 anos e os preços de apartamentos usados caíram de forma acentuada.

"O plano do Estado reduziu a praticamente zero o risco de um colapso no setor imobiliário... traz uma previsibilidade importante para o mercado global."
Lucas Sigu SouzaSócio-fundador, Ciano Investimentos

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, reforça que o modelo de crescimento baseado em expansão imobiliária está se esgotando e que, apesar de alguma estabilização, não há sinais claros de retomada cíclica do setor.

João Pedro Moreno, analista da Nexgen Capital, destaca números que ilustram a fragilidade: investimento imobiliário em queda de 17,2% e cerca de 80 milhões de imóveis não vendidos pressionando o mercado.

Exportação de deflação: o caminho da indústria chinesa

Com a demanda doméstica ainda fragilizada — estimada como significativamente abaixo da média global, segundo a reportagem —, a indústria chinesa tem despejado o excedente de produção no mercado internacional, pressionando preços globais para baixo. Esse movimento é chamado pelos analistas de "exportação de deflação" e tem consequências diretas para mercados e preços externos.

Como o Brasil será afetado?

O cenário descrito pelo InfoMoney cria um efeito assimétrico para a economia brasileira:

  • Indústria: setores como siderurgia e metalurgia devem enfrentar concorrência maior de produtos chineses mais baratos, pressionando margens e preços locais.
  • Commodities: a crise imobiliária chinesa reduz a demanda por aço e minério, pressionando para baixo os preços de commodities usadas na construção. Por outro lado, transformações na economia chinesa, como aumento da produção de veículos elétricos e expansão em tecnologia, podem manter demanda por certos minérios.
  • Agronegócio e carnes: a relação comercial com a China tende a ficar mais tensa. Mesmo que a demanda por alimentos seja historicamente resiliente, o poder de compra chinês (monopsônio) pode levar a negociações de preços mais duras em 2026. Lucas Sigu Souza alerta que o investimento chinês em produção interna de frango e porco pode reduzir a necessidade de importações, pressionando os preços da carne bovina importada — impactando frigoríficos brasileiros como JBS, Marfrig e Minerva.
Destaques da Notícia
  • Estímulos chineses evitaram risco sistêmico no imobiliário, mas não resolveram desequilíbrio oferta-demanda.

  • China segue exportando excedente industrial, pressionando preços globais.

  • Brasil pode sofrer com competição na siderurgia, pressão sobre minério e tensão nos preços de carnes.

O que os analistas recomendam a investidores?

A reportagem do InfoMoney relata que a recomendação geral é de seletividade para quem pretende investir em ativos chineses via ETFs ou BDRs. Valuations descontados nas empresas chinesas podem parecer atraentes, mas escondem riscos estruturais e geopolíticos. Lucas Sigu Souza aconselha evitar exposição ao setor imobiliário e priorizar tecnologia e financeiro. João Pedro Moreno alerta para o risco de "value trap" se a transição chinesa para uma economia de consumo demorar mais do que o mercado espera — com volatilidade elevada no curto prazo.

"O modelo de crescimento baseado em expansao imobiliaria esta se esgotando. Ha estabilizacao na margem, mas nao entendemos que haja uma retomada ciclica."
Marianna CostaEconomista-chefe, Mirae Asset

Análise para o leitor brasileiro

Para empresas e investidores no Brasil, o cenário significa atenção redobrada:

  • Empresas da cadeia do aço e metal devem revisar projeções de vendas e preços, levando em conta maior concorrência importada.
  • Mineradoras precisam monitorar a demanda chinesa por diferentes minerais: queda na construção pode reduzir volumes, mas a transição energetica sustenta demanda por certos insumos.
  • Frigoríficos e exportadores de carne devem considerar estratégias comerciais e de custo diante de negociações mais duras com compradores chineses e crescimento da oferta interna na China.

Em termos práticos, quem atua no setor exportador deve recalibrar projeções de preços e volume; investidores devem manter horizonte de longo prazo e cautela com empresas expostas ao mercado chinês.

Dica prática

Se quiser estimar rapidamente como uma queda de preço na commodity pode afetar sua receita de exportação, use a calculadora de porcentagem disponível abaixo.

Abrir calculadora
/calculadoras/porcentagem

Linha do tempo (contexto recente)

Cronologia

2020
Choque da Covid-19

Queda abrupta nas vendas no varejo e impacto sobre a economia chinesa.

2025
Crescimento anual

China registrou crescimento de cerca de 5% no ano anterior, dentro da meta do governo.

Janeiro 2026
Dados de preços

PPI recua pelo 40º mês consecutivo; IPC cresceu apenas 0,2% na comparação anual.

Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

Os analistas citados pelo InfoMoney entendem que o estímulo estabilizou o setor, mas o modelo de expansão imobiliária está se esgotando; não há sinais claros de retomada cíclica apenas por medidas de estímulo.

Significa que produtos industrializados importados da China podem ficar mais baratos, pressionando preços locais de bens comercializaveis e contribuindo para um efeito desinflacionario em alguns segmentos.

Siderurgia, metalurgia, mineracao ligada à construcao e frigorificos exportadores de carne bovina devem monitorar competitividade e negociações com a China.


Fonte: reportagem do InfoMoney, Leonardo Guimarães, 17/02/2026. Todos os dados e análises citados neste texto foram extraídos e reescritos a partir da matéria original do InfoMoney.