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Economia
5 min de leitura

Ian Bremmer: China já supera os EUA em tecnologias de energia, afirma cientista político

Em entrevista ao O Globo, o presidente do Eurasia Group, Ian Bremmer, afirma que a China já domina tecnologias de energia, avança em robótica e se aproxima dos EUA em IA e semicondutores, enquanto mudanças políticas nos EUA afetam o papel do país no cenário global.

Agência O Globo / InfoMoney

Ian Bremmer: China já supera os EUA em tecnologias de energia, afirma cientista político

Ian Bremmer: China já supera os EUA em tecnologias de energia, afirma cientista político

Principal conclusão

Segundo Ian Bremmer, em entrevista ao jornal O Globo (reproduzida pelo InfoMoney), a China já domina tecnologias de energia, superando os Estados Unidos em várias frentes.

No início de março de 2026, o cientista político Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, concedeu entrevista exclusiva ao O Globo em que traçou um panorama da competição entre Estados Unidos e China por liderança tecnológica e econômica. Bremmer avaliou que, embora os EUA ainda detenham vantagens em alguns setores, a China já assumiu a dianteira em tecnologias relacionadas à geração e distribuição de energia, além de liderar em robótica.

Destaques da Notícia
  • Ian Bremmer afirma que a China domina tecnologias de energia e lidera em robótica.

  • EUA ainda mantêm liderança em semicondutores e inteligência artificial, mas enfrentam aproximação chinesa.

  • Mudanças nas políticas dos EUA, como maior intervenção estatal e tarifas da plataforma "America First", reduzem algumas vantagens históricas do país.

Quem é Ian Bremmer e qual a fonte

Ian Bremmer é um cientista político americano especializado em política externa e fundador e presidente do Eurasia Group, uma consultoria de risco com escritórios em Nova York, Washington, Londres, Tóquio, São Paulo, São Francisco e Cingapura. A avaliação foi dada em entrevista ao O Globo e reproduzida pelo InfoMoney (fonte desta matéria).

O conceito G-Zero e o contexto geopolítico

Bremmer é também criador do conceito G-Zero, que descreve um mundo sem uma liderança global clara e o declínio da dominância do G7. Na entrevista, ele afirmou que o poder dos EUA nos últimos 30 anos se manteve em várias dimensões, mas que o soft power americano vem se tornando menos uniforme ao longo de décadas, processo que se acelerou com políticas do segundo mandato de Donald Trump.

Mudanças nas políticas americanas e impacto na economia

Segundo Bremmer, sob a gestão de Trump houve aumento da intervenção estatal — o governo passou a adquirir participações em empresas e a apoiar companhias favorecidas — e a plataforma 'America First' ampliou tarifas, reduzindo a globalização. Para ele, isso indica um afastamento estrutural de um modelo de livre mercado, embora ressalte que os EUA nunca foram, nas últimas décadas, um exemplo puro de livre mercado.

"Os chineses já dominam na área de energia."
Ian BremmerFundador e presidente do Eurasia Group

Onde os EUA ainda se mantêm fortes — e onde estão perdendo terreno

Bremmer destaca diferenças por setor:

  • Semicondutores: os EUA ainda dominam, mas a China vem se aproximando.
  • Inteligência artificial: liderança americana permanece, apesar do avanço chinês.
  • Energia: em novas tecnologias ligadas à geração e armazenamento (eólica, solar, nuclear, baterias), infraestrutura inteligente e veículos elétricos, a China já domina globalmente, segundo Bremmer.
  • Robótica: os chineses estão na frente.
  • Biotecnologia: a disputa está muito acirrada.

Bremmer observa que, mesmo se os EUA mantiverem vantagem em IA, a China terá capacidade mais barata e em grande escala para alimentar esses sistemas — um fator que, na visão dele, coloca a China em posição vantajosa nos próximos cinco anos no campo energético.

"Mesmo que os americanos tenham IA melhor, os chineses terão capacidade mais barata e em grande escala para alimentar a IA."
Ian BremmerFundador e presidente do Eurasia Group

Implicações para o equilíbrio global

O diagnóstico de Bremmer indica uma transformação na correlação de forças tecnológicas e econômicas: enquanto os EUA podem preservar vantagens em determinados segmentos, a combinação de escala industrial chinesa e foco em cadeias produtivas de energia e veículos elétricos está recolocando o tabuleiro global. Bremmer acrescenta que, apesar de preferir o sistema político americano, ele escolheria a posição econômica que a China tende a ocupar nos próximos anos no que diz respeito à capacidade energética.

Análise para o leitor brasileiro

  • Competitividade e cadeias de suprimento: a liderança chinesa em tecnologias de energia e em produção em escala tende a pressionar preços globais de componentes como baterias e painéis solares, o que pode beneficiar consumidores e projetos de transição energética, mas também aumentar concorrência para a indústria nacional.
  • Energia e investimento: países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, podem ver maior oferta de soluções em energia renovável e veículos elétricos a custos mais baixos, exigindo políticas industriais e de inovação para aproveitar oportunidades locais.
  • Políticas públicas: a mudança no equilíbrio tecnológico reforça a necessidade de planejamento energético, incentivos à pesquisa e desenvolvimento e estratégias para integrar cadeias produtivas locais com fornecedores internacionais.
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Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

Em alguns setores sim. Bremmer aponta que os EUA continuam com vantagem em semicondutores e em inteligência artificial, embora a China esteja se aproximando rapidamente.

Segundo Ian Bremmer, a China já domina várias tecnologias relacionadas à energia (renovaveis, baterias, infraestrutura e veículos eletricos) e em robótica.

Significa maior oferta global de tecnologias de energia e possibilidade de produtos mais baratos, mas também maior concorrência para fabricantes locais. Exige políticas que favoreçam inovação, competitividade e integração às cadeias globais.

Fonte: entrevista de Ian Bremmer ao jornal O Globo, reproduzida pelo InfoMoney.