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Financas
7 min de leitura

Correção Monetária: Como Atualizar Valores em 2026

Guia completo sobre correção monetária em 2026: o que é, quais índices usar (IPCA, IGP-M, INPC, CDI), como calcular e simulador gratuito.

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13 de fevereiro de 2026

Correção Monetária: Como Atualizar Valores em 2026

Correção Monetária: Como Atualizar Valores em 2026

Você já se perguntou quanto aquele valor de cinco anos atrás representaria em dinheiro de hoje? A correção monetária é o mecanismo que responde a essa pergunta, ajustando valores passados para refletir o efeito acumulado da inflação. Seja para reajustar um aluguel, atualizar um contrato, calcular uma dívida judicial ou simplesmente entender quanto o seu dinheiro perdeu de poder de compra, saber como calcular a correção monetária é uma habilidade financeira essencial.

Neste guia completo, vamos explicar o que é correção monetária, quais são os principais índices utilizados no Brasil, como fazer o cálculo passo a passo e em quais situações práticas você precisará aplicá-la em 2026.

O que você vai aprender neste artigo
  • O que é correção monetária e por que ela existe

  • Diferença entre IPCA, IGP-M, INPC, CDI e Poupança

  • Fórmula de cálculo da correção monetária

  • Como atualizar aluguéis, contratos e valores judiciais

  • Quanto R$ 1.000 de 2020 valem em 2026

  • Histórico dos planos econômicos brasileiros

15,00% a.a.
Selic Atual
Taxa básica de juros (fev/2026)
4,44%
IPCA 12 meses
Inflação oficial acumulada
14,50% a.a.
CDI 2026
Referência para renda fixa
7,72% a.a.
Poupança
Rendimento estimado em 2026

O que é Correção Monetária?

A correção monetária é o reajuste de um valor financeiro com base em um índice de preços, com o objetivo de preservar o poder de compra da moeda ao longo do tempo. Em outras palavras, ela compensa a desvalorização causada pela inflação.

Quando a inflação sobe, o mesmo valor em reais compra menos produtos e serviços. A correção monetária existe justamente para que valores expressos em contratos, dívidas, aluguéis e decisões judiciais não percam seu significado econômico com o passar dos meses e anos.

Correção monetária não é lucro

A correção monetária apenas repõe o poder de compra original do dinheiro. Ela não representa ganho real. Por exemplo, se você corrigiu R$ 1.000 pelo IPCA e obteve R$ 1.044, os R$ 44 adicionais apenas compensam a alta dos preços, não um enriquecimento efetivo.

Por que a Correção Monetária é Importante?

A correção monetária afeta praticamente todos os aspectos da vida financeira dos brasileiros:

  • Aluguéis: Contratos de locação geralmente preveem reajuste anual pelo IGP-M ou IPCA.
  • Contratos comerciais: Prestações, parcelas e valores contratuais precisam ser atualizados para manter o equilíbrio econômico.
  • Dívidas judiciais: O Judiciário aplica correção monetária sobre condenações para que o credor receba o valor real da dívida.
  • Salários: O INPC é usado como referência para reajustes salariais e negociações coletivas.
  • Investimentos: Entender a inflação é fundamental para calcular o rendimento real de qualquer aplicação financeira.
  • Tributos: Muitas obrigações fiscais são corrigidas pela Selic ou por índices oficiais.

Principais Índices de Correção Monetária no Brasil

O Brasil possui diversos índices de preços, cada um com metodologia e aplicação específicas. Conhecer as diferenças entre eles é fundamental para escolher o índice correto em cada situação.

ÍndiceInstituiçãoFaixa de RendaUso PrincipalAcumulado 2025
IPCAIBGE1 a 40 SMInflação oficial, metas do BC4,26%
INPCIBGE1 a 5 SMReajuste de salários e benefícios4,30%
IGP-MFGVTodasAluguéis e contratos-1,05%
CDIB3/CetipN/AReferência para renda fixa14,32%
PoupançaBacenN/ACaderneta de poupança8,19%
SelicBacenN/ADívidas fiscais e tributárias14,25%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial de inflação do Brasil, calculado mensalmente pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O IPCA é a referência para o regime de metas de inflação do Banco Central e é utilizado para corrigir títulos públicos (como o Tesouro IPCA+), contratos e obrigações diversas.

A Fórmula da Correção Monetária

O cálculo da correção monetária é, na essência, bastante simples. Você precisa de três informações: o valor original, o índice acumulado no período e a fórmula de aplicação.

Valor Corrigido = Valor Original x (1 + Índice Acumulado / 100)

Onde o índice acumulado é a variação percentual total do período, calculada pela multiplicação dos fatores mensais

Como calcular a correção monetária passo a passo

1
Defina o valor original e a data de referência

Identifique o montante que precisa ser corrigido e a data a partir da qual a correção deve ser aplicada. Exemplo: R$ 10.000,00 em janeiro de 2020.

2
Escolha o índice de correção adequado

Verifique o que está previsto no contrato, na legislação ou na decisão judicial. Na dúvida, o IPCA é o índice mais utilizado por ser a medida oficial de inflação.

3
Consulte o índice acumulado no período

Acesse a Calculadora do Cidadão do Banco Central (www3.bcb.gov.br) ou portais como Brasil Indicadores e debit.com.br para obter o acumulado exato.

4
Aplique a fórmula

Multiplique o valor original pelo fator de correção. Exemplo com IPCA acumulado de jan/2020 a jan/2026 (aprox. 39,05%): R$ 10.000,00 x 1,3905 = R$ 13.905,00.

5
Verifique e documente

Confira o resultado utilizando pelo menos duas fontes e registre o cálculo com as referências dos índices utilizados para fins de comprovação.

Atenção ao período de referência

Os índices de inflação são publicados com defasagem. O IPCA de janeiro, por exemplo, é divulgado em meados de fevereiro. Ao calcular correções até o mês atual, verifique se o índice mais recente já foi publicado. Caso contrário, utilize o último disponível e ajuste quando o dado for liberado.

Quanto R$ 1.000 de 2020 Valem em 2026?

A inflação acumulada entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026 mostra com clareza o impacto da perda do poder de compra. Veja a comparação utilizando os principais índices:

Janeiro de 2020

Valor original: R$ 1.000,00

O que comprava em 2020:

  • Cesta básica para uma família por ~2,5 meses
  • Aproximadamente 250 litros de gasolina
  • Cerca de 45 refeições em restaurante popular
Janeiro de 2026

Valor corrigido pelo IPCA: R$ 1.390,50

Para comprar o mesmo que R$ 1.000 compravam em 2020, hoje seria necessário R$ 1.390,50. Quem manteve R$ 1.000 parados perdeu 28,1% do poder de compra real.

Correção por outros índices:

  • IGP-M: R$ 1.357,20
  • INPC: R$ 1.385,00
  • Poupança: R$ 1.512,30
  • CDI: R$ 1.772,40

Inflação acumulada por índice (jan/2020 a jan/2026)

CDI77%
Poupança51%
IPCA39%
INPC38%
IGP-M36%

Histórico: Os Planos Econômicos Brasileiros

Para entender por que a correção monetária tem tanta importância no Brasil, é preciso conhecer a história inflacionária do país. Antes do Plano Real, o Brasil conviveu com hiperinflação e trocou de moeda diversas vezes.

Planos Econômicos e Moedas do Brasil

1986
Plano Cruzado

O Cruzado (Cz$) substituiu o Cruzeiro, cortando 3 zeros. O plano congelou preços e salários, mas fracassou em meses. A inflação voltou com força e o congelamento gerou desabastecimento em todo o país.

1989
Plano Verão

Criou o Cruzado Novo (NCz$), cortando mais 3 zeros. Congelou preços novamente, mas a inflação em 1989 chegou a 1.972% ao ano, um dos piores patamares da história brasileira.

1990
Plano Collor

Medida extrema: confiscou poupanças e aplicações acima de NCz$ 50 mil por 18 meses. Substituiu o Cruzado Novo pelo Cruzeiro (Cr$). O trauma do confisco marca gerações até hoje e permanece na memória coletiva dos brasileiros.

1993
Cruzeiro Real

O Cruzeiro Real (CR$) foi uma moeda de transição que durou menos de um ano. A inflação mensal chegava a 30%, e o país se preparava para uma nova tentativa de estabilização.

1994
Plano Real

Criou a URV (Unidade Real de Valor) como indexador universal antes de lançar o Real (R$) em 1 de julho de 1994. O plano combinava âncora cambial, ajuste fiscal e política monetária restritiva. Foi o primeiro plano a obter sucesso duradouro na estabilização.

1999
Regime de Metas de Inflação

O Brasil adotou o sistema de metas de inflação com o IPCA como índice de referência. O Banco Central passou a usar a taxa Selic como principal instrumento de política monetária, modelo vigente até hoje.

2026
Cenário Atual

Com a Selic a 15% ao ano e IPCA em 4,44% nos últimos 12 meses, o Brasil mantém a inflação dentro de níveis controláveis, embora acima do centro da meta. A correção monetária continua sendo instrumento essencial para manter o equilíbrio econômico dos contratos.

Aplicações Práticas da Correção Monetária

Reajuste de Aluguel

O reajuste anual de aluguéis residenciais é uma das aplicações mais comuns da correção monetária. Tradicionalmente, o IGP-M era o índice padrão, mas desde 2020 muitos contratos novos passaram a adotar o IPCA por ser menos volátil.

Atualização de Contratos Comerciais

Contratos de prestação de serviços, fornecimento e parcerias comerciais costumam prever cláusulas de reajuste anual. O índice utilizado depende do que foi acordado entre as partes. Em caso de omissão contratual, o IPCA é frequentemente aplicado pela Justiça como referência neutra.

Correção de Valores Judiciais

Na esfera judicial, a correção monetária incide sobre condenações em dinheiro. Desde a decisão do STF nas ADCs 58 e 59 (2020), a correção de débitos trabalhistas passou a utilizar o IPCA-E na fase pré-judicial e a taxa Selic na fase judicial, que engloba tanto correção monetária quanto juros moratórios.

Dica para cálculos judiciais

Para atualizar valores de precatórios e RPVs (Requisições de Pequeno Valor), utilize a calculadora oficial do tribunal competente. Cada tribunal (TJ, TRT, TRF) pode ter regras específicas e tabelas próprias de correção que incluem tanto o índice de correção quanto os juros aplicáveis.

Calculadora de Correção Monetária

Utilize nossa calculadora gratuita para corrigir valores de forma rápida e precisa. Basta informar o valor original, as datas inicial e final, e selecionar o índice desejado.

Abrir calculadora
/calculadoras/correcao-monetaria

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Usar Calculadora

Correção Monetária vs. Juros: Qual a Diferença?

Muitas pessoas confundem correção monetária com juros, mas são conceitos distintos e complementares:

Correção Monetária
  • Repõe o poder de compra perdido pela inflação
  • Não representa ganho real para o credor
  • Incide automaticamente em obrigações de valor
  • Utiliza índices de preços (IPCA, IGP-M, INPC)
  • É devida mesmo sem previsão contratual expressa
Juros
  • Representam o custo do dinheiro no tempo
  • Constituem remuneração efetiva do capital
  • Podem ser simples ou compostos
  • São definidos por taxa (Selic, CDI, contratual)
  • Dependem de previsão legal ou contratual

Na prática, quando um tribunal condena alguém ao pagamento de uma dívida, aplica-se tanto a correção monetária (para manter o valor real) quanto os juros (como compensação pela demora no pagamento). A Selic, quando utilizada sozinha pelo Judiciário, já embute ambos os componentes.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes sobre Correção Monetária

FAQ - Correção Monetária

Na prática, são sinônimos. Ambos os termos se referem ao ajuste de um valor passado para refletir a variação do poder de compra da moeda. O termo "atualização monetária" é mais comum em textos jurídicos, enquanto "correção monetária" é amplamente utilizado no dia a dia e na legislação tributária.

O índice a ser utilizado é aquele previsto no contrato de locação. Historicamente, o IGP-M é o mais comum, mas contratos mais recentes têm adotado o IPCA. Se o contrato não especifica, é possível negociar a troca do índice com o locador ou locatário. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91) permite que as partes definam livremente o indexador.

Sim, para dívidas de valor (como indenizações judiciais), a correção monetária é devida independentemente de cláusula contratual, pois visa apenas manter o valor real da obrigação. Para obrigações contratuais, depende do que foi pactuado entre as partes, mas é prática padrão em contratos de longa duração no Brasil.

Não integralmente. O FGTS é corrigido pela TR (Taxa Referencial) mais 3% ao ano, o que historicamente rende menos que a inflação. O STF decidiu em 2024 que a correção do FGTS não pode ser inferior ao IPCA, garantindo ao menos a reposição inflacionária do fundo a partir de 2025.

Para dívidas trabalhistas, aplica-se o IPCA-E na fase pré-judicial e a Selic na fase judicial (que já inclui juros). Para dívidas cíveis, cada tribunal pode adotar critérios próprios, mas a tendência é o uso da Selic ou do IPCA acrescido de juros de 1% ao mês. Consulte sempre a tabela de atualização do tribunal responsável.

Sim. Em 2025, o IGP-M acumulou -1,05%, o que tecnicamente permitiria ao inquilino solicitar a redução do aluguel. Na prática, muitos contratos preveem cláusula de "piso zero" que impede a redução, mantendo o valor inalterado quando o índice é negativo.

Sim, desde que ambas as partes concordem. A troca do IGP-M pelo IPCA, por exemplo, tem sido comum e aceita pela jurisprudência. Em alguns casos, o Judiciário tem autorizado a substituição mesmo sem acordo, quando o índice contratual gera desequilíbrio excessivo.

Glossário de Termos Econômicos

Termos Essenciais

IPCA
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Medido pelo IBGE, é o indicador oficial de inflação do Brasil, abrangendo famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.
IGP-M
Índice Geral de Preços do Mercado. Calculado pela FGV, composto por IPA (60%), IPC (30%) e INCC (10%). Muito utilizado para reajuste de aluguéis e contratos.
INPC
Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Medido pelo IBGE, foca em famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Referência para reajustes salariais.
CDI
Certificado de Depósito Interbancário. Taxa de juros praticada em empréstimos entre bancos, usada como benchmark para investimentos de renda fixa. Acompanha de perto a Selic.
Selic
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom a cada 45 dias. Atualmente em 15% ao ano.
TR
Taxa Referencial. Calculada pelo Banco Central, é utilizada na correção da poupança e do FGTS. Seu valor é geralmente muito baixo, frequentemente próximo de zero.
Deflação
Queda generalizada e sustentada dos preços. É o oposto da inflação. Quando um índice acumula variação negativa (como o IGP-M em 2025), houve deflação naquele indicador.
Poder de compra
Capacidade de aquisição de bens e serviços com uma determinada quantidade de dinheiro. A inflação reduz o poder de compra, enquanto a correção monetária busca preservá-lo.
Indexação
Mecanismo de vinculação automática de valores (preços, salários, contratos) a um índice de correção. O Brasil tem uma longa tradição de indexação econômica desde os anos 1960.
URV
Unidade Real de Valor. Criada em 1994 como parte do Plano Real, funcionou como um indexador de transição entre o Cruzeiro Real e o Real, sendo fundamental para a desindexação da economia.

Checklist: Antes de Calcular a Correção Monetária

Verifique antes de calcular

  • Identifiquei o valor original e a data de referência
  • Verifiquei qual índice está previsto no contrato ou na lei aplicável
  • Confirmei se o índice do último mês já foi publicado
  • Consultei uma fonte oficial (Banco Central, IBGE ou FGV)
  • Calculei o índice acumulado do período completo
  • Apliquei a fórmula corretamente (multiplicação, não soma)
  • Verifiquei se há juros adicionais a serem aplicados
  • Documentei o cálculo com as fontes e datas utilizadas

Conclusão

A correção monetária é uma ferramenta indispensável para a vida financeira no Brasil. Em um país com histórico de inflação elevada e onde os preços sobem continuamente, saber atualizar valores é fundamental para proteger seu patrimônio, negociar contratos justos e compreender o real custo do dinheiro no tempo.

Em 2026, com a Selic em 15% ao ano e o IPCA acumulando 4,44% em 12 meses, a correção monetária continua sendo um tema de grande relevância prática. Utilize nossa calculadora gratuita para fazer seus cálculos de forma rápida e confiável, e consulte sempre fontes oficiais como o Banco Central e o IBGE para obter os índices atualizados.

A inflação é a única forma de tributação que pode ser imposta sem legislação.
Milton FriedmanEconomista e Nobel de Economia
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