Como funciona o financiamento de veículo no Brasil em 2026
Diferença entre Tabela Price e SAC com exemplos reais
Como calcular IOF, CET e o custo real do financiamento
Comparativo: financiamento vs consórcio vs pagamento à vista
Checklist completo antes de assinar o contrato
Dicas de negociação para conseguir as melhores taxas
Comprar um carro é uma das maiores decisões financeiras que a maioria dos brasileiros toma ao longo da vida. Em 2026, com a taxa Selic projetada em torno de 13,5% ao ano e taxas de financiamento de veículos variando entre 1,03% e 3,00% ao mês, entender cada detalhe do financiamento pode representar uma economia de milhares de reais. Este guia completo vai te ajudar a tomar a melhor decisão possível.
O que é o financiamento de veículo?
O financiamento de veículo, tecnicamente chamado de CDC (Crédito Direto ao Consumidor), é uma operação de crédito na qual o banco paga o valor do carro à concessionária ou ao vendedor e você devolve esse valor ao banco em parcelas mensais acrescidas de juros, seguros e tributos.
O veículo financiado fica alienado ao banco até a quitação total. Isso significa que, embora você use o carro normalmente, a propriedade plena só é transferida quando a última parcela é paga. Se houver inadimplência, o banco pode retomar o bem.
Termos essenciais do financiamento
- CDC
- Crédito Direto ao Consumidor. Modalidade de financiamento mais comum, onde o banco libera o crédito e o bem fica alienado como garantia.
- CET
- Custo Efetivo Total. Percentual que inclui juros, IOF, tarifas e seguros, representando o custo real da operação.
- IOF
- Imposto sobre Operações Financeiras. Tributo federal cobrado sobre operações de crédito, incluindo financiamentos.
- Alienação fiduciária
- Garantia na qual o veículo pertence ao banco até a quitação total do financiamento.
- Tabela FIPE
- Referência de preços médios de veículos usada por bancos, seguradoras e revendas em todo o Brasil.
- Entrada
- Valor pago no ato da compra que reduz o montante financiado e, consequentemente, o custo total de juros.
Tabela Price vs SAC: qual escolher?
Existem dois sistemas principais de amortização usados em financiamentos de veículos no Brasil. A escolha entre eles impacta diretamente o valor das parcelas e o custo total.
A Tabela Price (Sistema Francês de Amortização) é o modelo mais comum em financiamentos de veículos. Suas parcelas são fixas do início ao fim do contrato. Nos primeiros meses, a maior parte da parcela é composta por juros; com o passar do tempo, a proporção se inverte e a amortização do principal cresce.
Características:
- Parcelas iguais durante todo o contrato
- Previsibilidade total no orçamento mensal
- Custo total de juros mais elevado
- Ideal para quem precisa de parcelas estáveis
Exemplo prático: carro de R$ 60.000
Vamos simular um financiamento de R$ 60.000 com entrada de R$ 12.000 (20%), financiando R$ 48.000 em 48 meses a uma taxa de 1,80% ao mês.
| Item | Tabela Price | Tabela SAC |
|---|---|---|
| Valor financiado | R$ 48.000,00 | R$ 48.000,00 |
| Primeira parcela | R$ 1.559,82 | R$ 1.864,00 |
| Última parcela | R$ 1.559,82 | R$ 1.018,00 |
| Parcela média | R$ 1.559,82 | R$ 1.441,00 |
| Total de juros | R$ 26.871,36 | R$ 21.168,00 |
| Total pago | R$ 74.871,36 | R$ 69.168,00 |
| Custo total (com entrada) | R$ 86.871,36 | R$ 81.168,00 |
No exemplo acima, a Tabela SAC gera uma economia de R$ 5.703,36 em juros ao longo de 48 meses. Porém, exige uma primeira parcela R$ 304,18 mais alta. Avalie se o seu orçamento comporta parcelas maiores no início.
Tabela Price
Parcela fixa: R$ 1.559,82/mês Total de juros: R$ 26.871,36 Custo total: R$ 86.871,36 Previsibilidade total, mas custo mais alto
Tabela SAC
Primeira parcela: R$ 1.864,00 (cai todo mês) Total de juros: R$ 21.168,00 Custo total: R$ 81.168,00 Economia de R$ 5.703, mas parcela inicial maior
IOF: o imposto que muita gente ignora
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo federal obrigatório em qualquer financiamento de veículo. Ele é composto por duas alíquotas que se somam:
Alíquota fixa de 0,38% sobre o total + alíquota diária de 0,0082% por dia, limitada a 3% ao ano
Como o IOF funciona na prática
A cobrança do IOF tem dois componentes:
Cálculo do IOF passo a passo
Calcule a alíquota fixa
Multiplique o valor financiado por 0,38%. Para R$ 48.000: R$ 48.000 x 0,38% = R$ 182,40
Calcule a alíquota diária para cada parcela
Para cada parcela, multiplique o valor da amortização pelo número de dias entre a liberação do crédito e o vencimento da parcela, e então por 0,0082%. A primeira parcela (30 dias): R$ 1.000 x 30 x 0,0082% = R$ 2,46. A última parcela (1.440 dias): R$ 1.000 x 1.440 x 0,0082% = R$ 118,08.
Some todas as parcelas diárias
A soma de todas as cobranças diárias do IOF neste exemplo fica em torno de R$ 1.440,00.
Calcule o IOF total
Some a alíquota fixa com a soma das alíquotas diárias: R$ 182,40 + R$ 1.440,00 = R$ 1.622,40 (aproximadamente 3,38% do valor financiado).
O governo estabelece um limite máximo para a alíquota diária de 3% ao ano. Somado à alíquota fixa de 0,38%, o IOF total não ultrapassa aproximadamente 3,38% do valor financiado, independentemente do prazo.
CET: o número que realmente importa
O CET (Custo Efetivo Total) é o indicador mais importante de qualquer financiamento. Enquanto o banco pode anunciar uma taxa de juros atrativa, o CET revela o custo real da operação porque inclui:
- Taxa de juros nominal
- IOF
- Tarifa de cadastro
- Tarifa de avaliação do veículo
- Seguro prestamista (se houver)
- Registro de contrato
A lei obriga os bancos a informarem o CET antes da assinatura do contrato. Ao comparar propostas de diferentes instituições, ignore a taxa de juros isolada e compare diretamente o CET. Um banco com juros de 1,70% a.m. e muitas tarifas pode ter CET maior do que outro com juros de 1,90% a.m. e tarifas zero.
Composição típica do CET em um financiamento de veículo
Financiamento vs Consórcio vs À Vista
Uma das dúvidas mais frequentes é: qual a melhor forma de adquirir um veículo? A resposta depende do seu perfil financeiro, urgência e capacidade de poupança.
Financiamento
- Aquisição imediata do veículo
- Possibilidade de negociar prazos e taxas
- Veículo já pode ser usado enquanto paga
- Possibilidade de refinanciamento ou portabilidade
Financiamento
- Juros elevados (média de 1,99% a.m. em 2026)
- IOF obrigatório (até 3,38% do valor)
- Custo total pode superar 140% do valor do carro
- Veículo alienado ao banco até quitação
- Risco de inadimplência e busca e apreensão
| Critério | Financiamento | Consórcio | À Vista |
|---|---|---|---|
| Disponibilidade do carro | Imediata | Após contemplação (sorteio ou lance) | Imediata |
| Custo adicional | Juros + IOF + tarifas (pode dobrar o valor) | Taxa de administração (15-25% do total) | Nenhum |
| Entrada obrigatória | Sim (geralmente 20-30%) | Não | Valor total |
| Parcelas | Fixas (Price) ou decrescentes (SAC) | Reajustadas pelo índice do grupo | Não há |
| Poder de negociação | Médio | Alto (carta de crédito = compra à vista) | Máximo (descontos de 5-15%) |
| Ideal para | Quem precisa do carro agora | Quem pode esperar e quer economizar | Quem tem reserva financeira |
| Risco principal | Juros sobre juros em atraso | Não ser contemplado por anos | Descapitalização total |
O melhor financiamento é aquele que você não precisa fazer. Se puder, junte o dinheiro e compre à vista. Mas se financiar for inevitável, faça a maior entrada possível e escolha o menor prazo que seu orçamento permitir.
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Estratégias de negociação comprovadas
Pesquise em pelo menos 5 instituições
Não aceite a primeira proposta. Compare bancos tradicionais, fintechs, cooperativas de crédito e bancos de montadoras. A diferença pode chegar a 1% a.m., o que em 48 meses representa milhares de reais.
Aumente o valor da entrada
Quanto maior a entrada, menor o risco para o banco e, consequentemente, menor a taxa oferecida. Uma entrada de 40% pode reduzir significativamente a taxa em relação a uma de 20%.
Melhore seu score de crédito antes de financiar
Pague contas em atraso, reduza o uso do limite do cartão de crédito e mantenha seus dados atualizados nos birôs de crédito. Um score acima de 700 pontos garante melhores condições.
Prefira prazos mais curtos
Financiamentos de 24 ou 36 meses geralmente têm taxas menores do que os de 48 ou 60 meses. Além disso, você paga menos juros no total.
Negocie a eliminação de tarifas
Tarifas de cadastro, avaliação e registro de contrato são negociáveis. Muitos bancos eliminam essas cobranças para fechar o negócio. Peça a remoção ou redução.
Considere a portabilidade de crédito
Se já tem um financiamento ativo com taxa alta, a portabilidade permite transferir a dívida para outro banco com condições melhores, sem custo adicional.
Evite incluir acessórios e seguros no financiamento
Financiar acessórios, películas e seguros aumenta o valor base sobre o qual incidem juros e IOF. Pague esses itens separadamente, se possível.
Checklist antes de financiar
Verifique todos os itens antes de assinar
- Pesquisei a taxa de juros e o CET em pelo menos 3 bancos diferentes
- Comparei Tabela Price e SAC para o meu perfil
- Calculei o valor total que pagarei ao final do financiamento
- Verifiquei se a parcela não ultrapassa 30% da minha renda líquida
- Li o contrato completo e entendi todas as cláusulas
- Confirmei que não há cobrança de tarifas abusivas ou seguros embutidos
- Verifiquei o valor da Tabela FIPE do veículo para não pagar acima do mercado
- Tenho uma reserva de emergência equivalente a pelo menos 3 meses de parcelas
- Considerei os custos adicionais: IPVA, seguro, manutenção e combustível
- Avaliei se o consórcio ou poupança programada não seriam opções melhores
- Verifiquei meu score de crédito e regularizei pendências
- Solicitei a planilha de amortização completa ao banco
Perguntas frequentes
FAQ sobre financiamento de veículo
A taxa média para pessoa física gira em torno de 1,99% ao mês (equivalente a 26,61% ao ano). Porém, essa taxa varia significativamente entre instituições: bancos de montadoras oferecem a partir de 1,03% a.m., enquanto alguns bancos de varejo podem cobrar mais de 3,00% a.m. A taxa depende do seu perfil de crédito, valor da entrada e prazo escolhido.
Na maioria dos casos, não. Os bancos geralmente exigem uma entrada mínima de 20% a 30% do valor do veículo. Alguns programas especiais ou bancos de montadoras podem oferecer financiamento com entrada reduzida (10%), mas as taxas de juros costumam ser mais altas nessas condições.
O atraso gera multa de 2%, juros de mora (geralmente 1% ao mês) e seu nome pode ser incluído nos cadastros de proteção ao crédito (SPC/Serasa). Após 60 a 90 dias de inadimplência, o banco pode iniciar o processo de busca e apreensão do veículo, uma vez que ele está alienado como garantia.
Sim. Pela legislação brasileira (Lei nº 10.820/2003 e CDC), você tem direito à quitação antecipada com redução proporcional dos juros. O banco deve recalcular o saldo devedor descontando os juros das parcelas futuras. Solicite a planilha de quitação atualizada.
A taxa de juros é apenas um dos componentes do custo do financiamento. O CET (Custo Efetivo Total) inclui juros, IOF, tarifas de cadastro, avaliação, registro do contrato e seguros obrigatórios. O CET é sempre maior que a taxa de juros e é o valor que você deve usar para comparar propostas entre bancos.
Geralmente, sim. Veículos usados representam maior risco para o banco (maior depreciação e possibilidade de problemas mecânicos), então as taxas costumam ser de 0,3% a 0,8% mais altas por mês. Além disso, o prazo máximo pode ser menor e a entrada exigida pode ser maior.
Sim, através da portabilidade de crédito. Regulamentada pelo Banco Central, a portabilidade permite transferir a dívida para outra instituição que ofereça condições melhores (taxa menor, prazo diferente). O banco original não pode cobrar taxa pela portabilidade, e a transferência da alienação fiduciária é feita automaticamente.
Depende. Se você não tem urgência para adquirir o veículo e pode esperar a contemplação (por sorteio ou lance), o consórcio tende a ser mais barato, pois não cobra juros -- apenas taxa de administração (15-25% do total). Porém, se você precisa do carro imediatamente, o financiamento é a única opção de crédito que garante a posse imediata.
Erros mais comuns ao financiar um veículo
Conhecer os erros mais frequentes pode evitar que você pague milhares de reais a mais ou entre em uma dívida insustentável.
- Olhar apenas o valor da parcela: Muitas concessionárias vendem pelo "cabe no bolso", esticando o prazo para 60 ou 72 meses. As parcelas parecem baixas, mas o custo total de juros é devastador.
- Ignorar o CET: Comparar apenas a taxa de juros entre bancos é um erro grave. Sempre peça e compare o CET.
- Financiar sem entrada: Quando possível (em programas especiais), financiar 100% resulta em parcelas altíssimas e risco de o veículo valer menos do que a dívida restante (saldo devedor negativo).
- Não considerar custos de propriedade: IPVA, seguro, manutenção, combustível e estacionamento podem somar R$ 500 a R$ 1.500 por mês, além da parcela.
- Aceitar seguros e serviços embutidos: Bancos frequentemente incluem seguros prestamistas, proteção veicular e outros serviços no financiamento sem transparência. Questione cada item.
O banco não pode condicionar a aprovação do financiamento à contratação de seguros, consórcios, capitalização ou qualquer outro produto. Essa prática é conhecida como venda casada e é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 39, I). Denuncie ao Procon ou ao Banco Central se isso acontecer.
Conclusão: planejamento é a chave
O financiamento de veículo pode ser uma ferramenta útil quando bem utilizado, mas pode se transformar em uma armadilha financeira se feito sem planejamento. Em 2026, com juros ainda elevados, cada decisão conta.
Resumo das melhores práticas:
- Compare pelo CET, não pela taxa de juros isolada
- Dê a maior entrada possível (idealmente 30-40%)
- Escolha o menor prazo viável para o seu orçamento
- Considere a Tabela SAC se puder pagar parcelas iniciais maiores
- Mantenha a parcela abaixo de 30% da renda líquida
- Tenha reserva de emergência antes de financiar
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