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5 min de leitura

CSN negocia empréstimo de até US$ 1,5 bi com garantia da CSN Cimentos para saldar dívidas

CSN está próxima de fechar empréstimo de US$ 1,35 a 1,5 bilhão, com garantias ligadas à CSN Cimentos, para quitar títulos no exterior e reduzir vencimentos bancários em 2026. A operação envolve um sindicato de bancos e ocorre em meio a venda de ativos e rebaixamento de rating.

InfoMoney / Estadão Conteúdo

CSN negocia empréstimo de até US$ 1,5 bi com garantia da CSN Cimentos para saldar dívidas

CSN negocia empréstimo de até US$ 1,5 bi com garantia da CSN Cimentos para saldar dívidas

Fato principal

A CSN avança em negociação de uma linha de crédito de US$ 1,35 bi a US$ 1,5 bi com garantias ligadas à CSN Cimentos para quitar bonds e reduzir vencimentos bancários em 2026. Fonte: Estadão Conteúdo (reproduzido pelo InfoMoney).

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está próxima de fechar um empréstimo com um sindicato de bancos cujo montante deve ficar entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão. Segundo apuração do Estadão Conteúdo, divulgada pelo InfoMoney, as negociações avançaram e o negócio deve ter como parte das garantias ativos da CSN Cimentos. O valor final ainda depende de tratativas sobre juros e garantias adicionais.

US$ 1,35–1,5 bi
Projeção do empréstimo
Valor em negociação, sujeito a ajustes de termos
R$ 6,2 bi
Vencimentos bancários em 2026
Conforme balanço do 3º tri. de 2025
R$ 37,545 bi
Dívida líquida (3º tri. 2025)
Total reportado ao fim do 3º trimestre
R$ 26,9 bi
Vencimentos 2026–2028
Parte da dívida com vencimento entre 2026 e 2028

Como funcionaria a operação

Fontes a par das conversas informaram que a linha de crédito serviria para quitar títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) com vencimento em abril deste ano, amortizar dívidas bancárias e recomprar parte dos bonds com vencimento em 2028. A alternativa surge diante da dificuldade da companhia em acessar o mercado externo para nova emissão, que exigiria prêmio elevado aos investidores.

A solução também implicaria em uma troca de passivo: bancos que hoje têm exposição à CSN poderiam transformar sua posição em dívidas com garantias reais, reduzindo a incerteza sobre os recebíveis.

Quem participa das negociações

Segundo o relato do Estadão Conteúdo, Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para auxiliar na venda da CSN Cimentos, estão entre as instituições que integram o sindicato. Também devem participar Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC, com possibilidade de inclusão de outros bancos. Procurados, a CSN e as instituições financeiras não comentaram sobre o assunto.

Contexto financeiro e operacional da CSN

A negociação ocorre em um momento em que a CSN tenta recompor sua estrutura de capital por meio da venda de ativos. Em meados de janeiro, a companhia anunciou a alienação de ativos como parte de um plano para equacionar definitivamente sua alavancagem. Além da operação de cimentos, a empresa contratou o Citi e o Bradesco para atrair sócios ao negócio de infraestrutura.

O acesso ao mercado externo está relativamente restrito para emissores brasileiros, após uma sequência de episódios envolvendo grandes empresas que prejudicaram o apetite de investidores estrangeiros. A CSN, com elevado endividamento, tem sido observada por agentes internacionais preocupados com a possibilidade de reestruturação forçada.

Recentemente, a agência Fitch rebaixou o rating da CSN de “BB-” para “B” e manteve a perspectiva negativa, refletindo os desafios para desalavancagem e execução das vendas de ativos no horizonte médio.

Cronologia

2026-01
Anúncio de venda de ativos

Empresa anuncia alienação de ativos para ajustar estrutura de capital.

2026-02 (semana anterior)
Rebaixamento de rating

Fitch rebaixa rating da CSN de BB- para B e mantém observação negativa.

2026-03
Negociações de empréstimo

CSN avança em acordo para linha de US$ 1,35–1,5 bi com garantias da CSN Cimentos.

O que isso significa para investidores e para o mercado brasileiro

A efetivação da linha reduziria a pressão de vencimentos imediatos, especialmente os concentrados com bancos em 2026, e diminuiria o risco de um incumprimento no curto prazo. No entanto, o custo da operação — em juros e concessões de garantias — e a capacidade da CSN de cumprir o novo cronograma de pagamentos seguirão no radar dos investidores.

Para o mercado externo, a necessidade de oferecer prêmio elevado para novas emissões mostra um ambiente mais avesso ao risco para emissores brasileiros, cenário que dificulta liquidações por meio de bonds e torna soluções coordenadas com bancos uma alternativa mais viável.

Riscos a observar
  • A negociação ainda depende de definição de juros e garantias.
  • Rating rebaixado pela Fitch aumenta o custo de capital e indica risco de mais ajustes.
  • Parte dos vencimentos significativos concentra-se em 2026 junto a bancos.

Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

Para quitar bonds que vencem em abril, reduzir vencimentos bancários em 2026 e recomprar parte dos bonds com vencimento em 2028, segundo o Estadão Conteúdo.

Morgan Stanley e Santander estão entre os bancos que receberam mandato; o sindicato deve incluir também Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC.

Não. Fontes ouvidas pelo Estadão afirmam que a perspectiva de fechar em março é positiva, mas o valor final e a conclusão dependem de negociações sobre juros e garantias.

A Fitch rebaixou o rating da CSN de “BB-” para “B” e manteve observação negativa, citando dificuldades na execução da estratégia de desalavancagem.

Como isso afeta seu planejamento financeiro (análise para o leitor)

Se você tem exposição a ações ou títulos da CSN, acompanhe a definição dos termos do empréstimo e os resultados das vendas de ativos: ambos influenciarão a capacidade de pagamento da empresa e o risco de reestruturação. Para investidores individuais, é importante revisar a alocação em renda variável e renda fixa ligada a empresas com alto endividamento, além de considerar cenários com custos de capital mais altos.

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Fonte: reportagem do Estadão Conteúdo reproduzida pelo InfoMoney