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Mercado
5 min de leitura

Ibovespa fecha acima de 190 mil pela primeira vez após decisão da Suprema Corte dos EUA

Ibovespa fechou em 190.534,42 pontos, maior nível de fechamento da história, impulsionado pela decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou tarifas de importação do governo Trump. O pregão também foi influenciado por dados norte-americanos de inflação (PCE) e PIB. Fonte: InfoMoney.

InfoMoney

Ibovespa fecha acima de 190 mil pela primeira vez após decisão da Suprema Corte dos EUA

Ibovespa fecha acima de 190 mil pela primeira vez após decisão da Suprema Corte dos EUA

Fechamento histórico

O Ibovespa fechou nesta sexta-feira (20) em 190.534,42 pontos — alta de 1,06% — e interrompeu o teto anterior ao superar os 190,7 mil pontos durante o pregão. Fonte: InfoMoney.

O pregão de 20 de fevereiro de 2026 foi marcado por uma combinação de fatores externos e domésticos que impulsionaram a Bolsa brasileira a um novo recorde de fechamento. Após um começo de dia dominado por dados econômicos americanos que preocupavam mercados — o núcleo do PCE (índice de preços de consumo pessoal) acima do esperado e um PIB do 4º trimestre dos EUA mais fraco — a decisão da Suprema Corte dos EUA de invalidar tarifas impostas pelo governo Trump deu novo fôlego às ações globalmente, repercutindo com força no Brasil.

Destaques da Notícia
  • Ibovespa fechou em 190.534,42 pontos, máxima intraday de 190.726,78.

  • Semana terminou com sétima alta seguida: +2,18%.

  • Dólar comercial caiu 0,98%, vendida a R$ 5,176.

  • Juros futuros (DIs) recuaram em toda a curva, apesar de maioria ainda acima de 13%.

  • Decisão da Suprema Corte dos EUA anulou tarifas impostas por Trump; reação política e risco de novas medidas.

190.534,42 pontos
Fechamento do Ibovespa
Alta de 1,06%
190.726,78 pontos
Máxima histórica
Nova máxima intraday
+2,18%
Variação semanal
Sétima semana seguida no positivo
R$ 35,90 bilhões
Volume
Volume financeiro do pregão
R$ 5,176
Dólar comercial (venda)
Queda de 0,98%
13,240%
DI 2027
Queda de 0,055 pp na sessão

O que aconteceu nos EUA e por que isso mexeu com os mercados

Na véspera e na manhã do pregão, o mercado repercutiu dois divulgados macro importantes dos EUA: o índice PCE, a métrica de inflação preferida do Federal Reserve, saiu acima do esperado em dezembro (PCE +0,4% m/m; núcleo do PCE +0,4% m/m e +3,0% a/a), enquanto o PIB preliminar do 4º trimestre de 2025 mostrou expansão de 1,4%, bem abaixo da estimativa de 3,0% (todas as referências segundo a cobertura do InfoMoney). Esses números limitaram a expectativa de cortes imediatos de juros pelo Fed, pressionando ativos de risco no início do dia.

Porém, ao meio-dia (horário de Brasília) a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas amplas impostas pelo governo Trump no ano anterior não estavam respaldadas legalmente pela lei de emergência utilizada. A decisão reduziu um ponto de incerteza comercial — e impulsionou bolsas em Nova York e na Europa, além de favorecer emergentes como o Brasil.

Reação política nos EUA e efeitos potenciais

O presidente Donald Trump reagiu de forma veemente à decisão, chamando o veredito de "uma vergonha" e anunciando que iria reimpor uma tarifa global de 10% e buscar outras alternativas legais para manter medidas protecionistas, além de sinalizar que judicializaria a devolução dos valores cobrados sob as tarifas anuladas. (Fonte: InfoMoney)

Autoridades e analistas nos EUA e no exterior avaliaram que a decisão reduz um canal de incerteza do comércio internacional, mas deixou em aberto a questão dos reembolsos das tarifas já arrecadadas — levantamento da Penn-Wharton citado pela cobertura apontou que devoluções podem chegar a algo na casa de US$ 170–175 bilhões, o que abriria nova disputa judicial e pressão sobre o Tesouro americano.

Raphael Bostic (Federal Reserve de Atlanta) comentou que a decisão "levanta questões sobre se os novos padrões de oferta e preços permanecem ou começam a ser alterados", conforme reportagem do InfoMoney.

Como reagiu o mercado brasileiro

A notícia foi comemorada pelos investidores e empurrou o Ibovespa a testar e superar a barreira dos 190 mil pontos. Entre os destaques do pregão em São Paulo:

  • Vale (VALE3): subiu até 3,23% e foi a ação mais negociada do dia;
  • Petrobras (PETR4): virou para alta no fim do pregão e fechou com +0,42%;
  • Bancos grandes: BBAS3 +2,00%, BBDC4 +2,02%, ITUB4 +1,40%, SANB11 +3,12%;
  • Azul (AZUL53): salto expressivo de 60,00% em meio à expectativa de saída da recuperação judicial (Chapter 11);
  • Entre small caps, VAMO3 liderou altas do dia com +4,01%.

Analistas consultados pelo InfoMoney mantêm visão positiva sobre ativos brasileiros, destacando que a redução de incerteza protecionista nos EUA tende a favorecer exportadores e emergentes.

Indicadores e outros ativos

  • Ibovespa: fechamento em 190.534,42 pontos (+1,06%); máxima intraday 190.726,78; mínima 186.700,34; volume R$ 35,90 bilhões.
  • Semana: +2,18% / Fevereiro: +5,06% / 1T26 e 2026: +18,25% (dados InfoMoney).
  • Dólar comercial (venda): R$ 5,176 (-0,98%).
  • Futuros/contratos: Minidólar (WDOH26) -0,71% a 5.186,00; Dólar Futuro (DOLFUT) -0,73% a 5.186,00; Ibovespa Futuro (INDFUT) +0,85% a 193.930.
  • Bitcoin Futuro (BITFUT): +0,12% a 350.920,00.

Juros futuros (DIs) — fechamento (seleção)

  • DI1F27: 13,240% (-0,055 pp)
  • DI1F28: 12,530% (-0,075 pp)
  • DI1F29: 12,595% (-0,075 pp)
  • DI1F31: 13,045% (-0,070 pp)
  • DI1F32: 13,220% (-0,055 pp)
  • DI1F33: 13,305% (-0,060 pp)
  • DI1F35: 13,390% (-0,045 pp)

(Todos os números de DI conforme fechamento informado pelo InfoMoney.)

Principais movimentações intraday e cronologia resumida

Cronologia do pregão (resumo)

08:00
Abertura e dados dos EUA

Mercados abrem com olhar voltado ao PCE e ao PIB dos EUA; índices futuros mostram volatilidade.

12:00
Decisão da Suprema Corte dos EUA

Corte declara ilegais as tarifas amplas do governo Trump, alterando o rumo dos mercados.

15:30
Pronunciamento de Trump

Trump critica decisão, anuncia plano B e ameaça reimpor tarifas de outra forma.

17:00
Recorde do Ibovespa

Ibovespa atinge novas máximas intraday e fecha acima de 190 mil pontos.

O que isso significa para o investidor brasileiro?

  • Menor incerteza comercial: a derrubada das tarifas reduz o risco de barreiras abruptas a exportações, favorecendo commodities e exportadores brasileiros como Vale e, em menor grau, Petrobras, o que pode atrair fluxo para ativos emergentes.
  • Câmbio: com menor aversão ao risco global, o real se valorizou frente ao dólar na sessão — dólar comercial terminou abaixo de R$ 5,18.
  • Renda fixa: a queda dos DIs reduz custos implícitos de financiamento no curto prazo, mas as taxas continuam elevadas historicamente (maioria acima de 12–13%).
  • Riscos a observar: decisões políticas subsequentes dos Estados Unidos (possível reimposição de tarifas via outros instrumentos), a evolução da inflação norte-americana (PCE persistente) e disputas judiciais sobre reembolsos das tarifas já arrecadadas.
"A persistencia inflacionaria, acima da meta de 2%, limita a capacidade do Fed de reduzir as taxas de juros para estimular a atividade econômica de forma imediata. Além disso, o consumo das famílias também apresenta sinais de retração..." (fonte: InfoMoney)
Nickolas LoboEspecialista em investimentos, Nomad

Ferramenta prática

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Use a calculadora de renda fixa para simular como uma variação nas taxas de juros impacta o rendimento de títulos pós e prefixados, útil diante da volatilidade dos DIs.

Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

A decisão reduziu incertezas sobre medidas protecionistas amplas que poderiam prejudicar comércio global e exportações, o que melhora o apetite por risco e beneficia mercados emergentes; além disso, foi interpretada como positivo para empresas exportadoras.

Não. A Corte limitou o uso daquela lei específica, mas o governo pode buscar outras ferramentas legais para impor tarifas, conforme anunciou o presidente Trump.

Registro de recorde mostra ganho de confiança, mas investidores devem considerar avaliação, riscos macro e estratégia pessoal antes de decidir aportes.


Fonte: reportagem e cobertura em tempo real do InfoMoney