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Mercado
8 min de leitura

Ibovespa Fecha em Queda de 0,69% Puxado por Vale e Petrobras; Dólar Sobe a R$ 5,23 Antes do Carnaval

Ibovespa caiu 0,69% nesta sexta-feira (13), puxado pela queda de commodities que pesou sobre Vale e Petrobras. Dólar subiu a R$ 5,229 antes do feriado de Carnaval, enquanto inflação nos EUA veio abaixo do esperado.

InfoMoney

Ibovespa Fecha em Queda de 0,69% Puxado por Vale e Petrobras; Dólar Sobe a R$ 5,23 Antes do Carnaval

Ibovespa Fecha em Queda de 0,69% Puxado por Vale e Petrobras; Dólar Sobe a R$ 5,23 Antes do Carnaval

Fechamento do mercado — Sexta-feira, 13/02/2026

O Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,69%, aos 186.464 pontos, pressionado pela queda de commodities que arrastou Vale (-2,94%) e Petrobras. O dólar subiu 0,57%, a R$ 5,229, com investidores buscando proteção antes do feriado prolongado de Carnaval. Nos EUA, a inflação ao consumidor de janeiro veio abaixo do esperado e reforçou as apostas em cortes de juros pelo Fed.

O último pregão antes do Carnaval foi marcado por uma sessão negativa para o Ibovespa, que devolveu parte dos ganhos recentes após ter atingido a marca inédita dos 190 mil pontos no intraday durante a semana. A pressão veio das blue chips ligadas a commodities — Vale e Petrobras —, que sentiram o impacto da queda do minério de ferro e da fraqueza do petróleo. O pré-feriado também reduziu a liquidez do mercado, intensificando os movimentos de realização de lucros.

-0,69%
Ibovespa
186.464 pontos
R$ 5,229
Dólar
Alta de 0,57%
+1,84%
Semana
Apesar da queda na sexta
+15,74%
Acumulado 2026
Valorização no ano

O que pesou sobre o Ibovespa

A combinação de fatores internos e externos pressionou o índice ao longo do dia. No cenário doméstico, o dado de vendas no varejo de dezembro veio abaixo do esperado, reforçando sinais de desaceleração da atividade econômica no início do ano. A queda do minério de ferro na bolsa de Dalian (-2,36%) e a fraqueza do petróleo afetaram diretamente os papéis de maior peso no índice.

As vendas no varejo vieram abaixo do esperado, reforçando sinais de desaceleração da atividade econômica no início do ano, o que pesa sobre ações mais ligadas ao ciclo doméstico e abre espaço para realização de lucros após a alta recente do índice. Soma-se a isso a queda do minério de ferro e a fraqueza do petróleo, que pressionam pesos relevantes do Ibovespa, como Vale e Petrobras.
Christian IarussiEconomista e sócio da The Hill Capital

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o Ibovespa encerrou a semana com queda após recortes recentes, com blue chips como Vale e Petrobras arrastadas pela volatilidade dos preços de minério e petróleo. Ela destacou ainda que, globalmente, o sentimento de aversão a risco envolvendo a "bolha de IA" levou a quedas acumuladas semanais, apesar de alguma recuperação nesta sexta.

Dólar sobe com proteção pré-Carnaval

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,57%, cotado a R$ 5,229 na venda, em um movimento que especialistas atribuem à busca por proteção cambial antes do feriado prolongado.

IndicadorValorVariação
Dólar VendaR$ 5,229+0,57%
Dólar CompraR$ 5,229
Mínima do diaR$ 5,204
Máxima do diaR$ 5,249
Índice DXY96,90 pts-0,02%
Estamos na contramão do exterior hoje, diferentemente dos últimos pregões, quando estávamos nitidamente alinhados. Eu creditaria isso a três motivos: ao mercado de olho nas questões locais, ao fluxo sazonal e ao movimento de realização do investidor estrangeiro na bolsa.
Fernando BergalloDiretor da FB Capital

Inflação dos EUA surpreende positivamente

O grande dado macroeconômico do dia foi o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente a janeiro. O indicador registrou alta de 0,2% no mês — abaixo da expectativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam avanço de 0,3%. Na comparação anual, a inflação ficou em 2,4%, ante projeção de 2,5%.

O resultado reacendeu as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Os juros futuros nos EUA elevaram ligeiramente as chances de afrouxamento monetário em junho, passando a precificar uma redução de 61 pontos-base até o fim do ano, ante 58 pontos-base antes da divulgação.

Parece que a inflação está se estabilizando. Portanto, acho que isso será um benefício para que as taxas de juros provavelmente continuem a cair um pouco mais. E acho que, à medida que as taxas começarem a cair, isso será positivo para a economia.
Dennis KisslerVP Sênior de Negociação da BOK Financial

No Brasil, a leitura mais branda da inflação americana contribuiu para a queda das taxas dos DIs, especialmente nos prazos mais longos, já que os números reforçam a possibilidade de dois cortes de juros pelo Fed em 2026.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Maiores Altas

AçãoVariaçãoPreço (R$)
ENEV3 (Eneva)+8,00%21,43
USIM5 (Usiminas)+4,81%6,32
CURY3 (Cury)+3,70%40,88
RECV3 (PetroReconcavo)+2,63%10,91
BRKM5 (Braskem)+2,39%9,84

Maiores Baixas

AçãoVariaçãoPreço (R$)
BBSE3 (BB Seguridade)-10,41%
TIMS3 (TIM)-3,92%27,18
GOAU4 (Metalúrgica Gerdau)-3,68%9,68
BRAP4 (Bradespar)-3,65%23,75
RAIZ4 (Raízen)-2,99%0,65

Eneva dispara 8% após governo elevar preço-teto de leilão

A Eneva (ENEV3) liderou as altas do dia com salto de 8%, após o governo federal elevar o preço-teto para usinas existentes a gás natural e carvão mineral no leilão de capacidade, de R$ 1,12 milhão para R$ 2,25 milhões por MW/ano — mais que o dobro do valor inicial.

BB Seguridade despenca 10% após rebaixamento do Goldman Sachs

O destaque negativo ficou com a BB Seguridade (BBSE3), que despencou 10,41% depois que o Goldman Sachs rebaixou a recomendação do papel de "compra" para "neutro". O banco avalia que a queda da Selic e a desaceleração nos prêmios emitidos devem impactar os resultados da seguradora.

Vale: prejuízo bilionário e queda do minério pressionam ação

As ações da Vale (VALE3) recuaram 2,94%, a R$ 86,61, em um dia de pressão dupla: a queda de 2,36% no minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, a 746 iuanes, e a divulgação de um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre — cinco vezes maior que o prejuízo do mesmo período do ano anterior — motivado por baixas contábeis.

Em teleconferência, o CEO Gustavo Pimenta afirmou que a mineradora não está preocupada com oscilações de curto prazo. A empresa também divulgou guidance otimista para 2026, com queda projetada nos custos C1 para minério de ferro (entre 20 e 21,5 US$/t) e destacou que os custos all-in para cobre ficaram negativos. O vice-presidente comercial indicou que a Vale vê prêmios resilientes para seus principais produtos de minério de ferro.

Outros destaques corporativos

  • Raízen (RAIZ4): oscilou ao longo do dia e fechou em queda de 2,99%. A empresa reportou prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, com dívida líquida crescendo 43,4%, a R$ 55,3 bilhões.

  • Usiminas (USIM5): na contramão do setor siderúrgico, subiu 4,81%. A empresa registrou lucro de R$ 129 milhões no 4T25, revertendo prejuízo de R$ 117 milhões do ano anterior. Medidas antidumping aprovadas pelo governo contra importações de aço devem beneficiar a companhia.

  • Suzano (SUZB3): anunciou novo reajuste nos preços da celulose para março — US$ 20/t na China e Ásia, e US$ 50/t nas Américas e Europa, com preço final de US$ 1.330/t na Europa.

  • Grandes bancos: todos fecharam no vermelho. O Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas com -2,65%, seguido por Santander (SANB11) a -1,45%, Itaú (ITUB4) a -1,24% e Bradesco (BBDC4) a -1,04%.

  • Varejo: setor sustentou alta ao final do dia. Lojas Renner (LREN) subiu 1,72%, C&A (CEAB3) avançou 1,10% e Magazine Luiza (MGLU3) ganhou 0,79%.

Wall Street e mercado global

As bolsas americanas encerraram praticamente estáveis nesta sexta-feira, após uma sessão volátil. O CPI abaixo do esperado trouxe alívio momentâneo, mas preocupações com a "bolha de IA" e resultados fracos de empresas de tecnologia limitaram a recuperação.

ÍndiceVariaçãoPontos
Dow Jones+0,05%49.477,62
S&P 500-0,01%6.832,35
Nasdaq-0,26%22.535,61
O relatório de inflação de hoje é um alívio para os investidores abalados pelas disrupções causadas pela IA no mercado de ações. Ele também compensa o forte relatório de empregos desta semana, dando ao Fed um pouco mais de motivos para adotar uma postura mais cautelosa.
David RussellChefe Global de Estratégia da TradeStation

Commodities e moedas

O petróleo fechou em leve alta, impulsionado pelas tensões entre EUA e Irã, mas registrou queda na semana. O ouro alcançou US$ 5.046,30 por onça-troy, beneficiado pela ampliação das expectativas de corte de juros pelo Fed.

CommodityValorVariação DiaVariação Semana
Petróleo Brent (abril)US$ 67,75/barril+0,34%-0,44%
Petróleo WTI (março)US$ 62,89/barril+0,08%-1,04%
Ouro (abril)US$ 5.046,30/oz+1,98%Alta
Minério de ferro (Dalian)746 iuanes-2,36%

Destaque também para a flexibilização das sanções ao setor energético da Venezuela pelos EUA, que emitiram licenças para Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol retomarem operações de petróleo e gás no país.

Evolução do Ibovespa na semana

Apesar da queda na sexta-feira, o Ibovespa acumulou ganho de 1,84% na semana e segue com valorização expressiva de 15,74% no ano.

Desempenho do Ibovespa na semana

Segunda, 09/02
+1,80%

Forte alta no início da semana.

Terça, 10/02
-0,17%

Leve recuo após a alta da véspera.

Quarta, 11/02
+2,03%

Maior alta da semana, com Ibovespa tocando pela primeira vez os 190 mil pontos no intraday.

Quinta, 12/02
-1,02%

Correção negativa com realização de lucros.

Sexta, 13/02
-0,69%

Fechamento em queda, pressionado por commodities e busca por proteção pré-Carnaval.

O que o investidor deve observar

O mercado brasileiro não terá pregão na segunda (16) e terça-feira (17) de Carnaval, retomando as operações apenas na Quarta-feira de Cinzas (18), com horário reduzido — sessão contínua das 13h às 17h55. As bolsas americanas também fecham na segunda pelo feriado do Dia do Presidente (Presidents' Day), mas já reabrem na terça.

O investidor deve ficar atento aos movimentos de Wall Street na terça-feira, quando a B3 ainda estará fechada, pois eventuais oscilações nos EUA poderão impactar a reabertura do mercado brasileiro na quarta.

Pontos de atenção para a volta do Carnaval
  • B3 reabre apenas na quarta-feira (18/02) às 13h, com horário reduzido até 17h55

  • Bolsas americanas já funcionam normalmente na terça — movimentos lá podem afetar a abertura aqui

  • Dados de atividade econômica nos EUA e atas de bancos centrais podem movimentar a semana pós-feriado

  • Mercado precifica dois cortes de juros pelo Fed em 2026, com o primeiro provavelmente em julho

  • IGP-10 de fevereiro registrou queda de 0,42%, sinalizando alívio nos preços ao produtor

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Perguntas Frequentes

O Ibovespa recuou 0,69%, pressionado pela queda do minério de ferro (-2,36% em Dalian) e do petróleo, que impactaram diretamente Vale e Petrobras, as ações de maior peso no índice. A busca por proteção antes do Carnaval e dados fracos de vendas no varejo também contribuíram para o recuo.

O dólar subiu ante o real por fatores domésticos: investidores buscaram proteção cambial antes do feriado prolongado de Carnaval, e houve fluxo sazonal e realização do investidor estrangeiro na bolsa, na contramão do movimento global.

As ações despencaram 10,41% após o Goldman Sachs rebaixar a recomendação de "compra" para "neutro", avaliando que a queda da taxa Selic e a desaceleração nos prêmios emitidos devem impactar negativamente os resultados da seguradora.

A B3 reabre na Quarta-feira de Cinzas (18/02) com horário reduzido. A pré-abertura ocorre das 12h45 às 13h, e a sessão contínua das 13h às 17h55, com call de fechamento entre 17h55 e 18h.

O CPI de janeiro veio em 0,2% (abaixo do esperado 0,3%), o que elevou ligeiramente as apostas em cortes de juros pelo Fed. O mercado agora precifica dois cortes em 2026, com o primeiro provavelmente em julho. Ainda assim, o Fed deve manter cautela nas reuniões de março e abril.