XP Inc. Ultrapassa R$ 2 Trilhões em Ativos e Projeta Crescimento Acelerado em 2026
XP Inc. bate a marca de R$ 2 trilhões em ativos, entrega lucro recorde em 2025 e projeta ano de ventos favoráveis em 2026 com receita de até R$ 26,8 bilhões.
XP Inc. Ultrapassa R$ 2 Trilhões em Ativos e Projeta Crescimento Acelerado em 2026
A XP Inc. encerrou 2025 com R$ 2,08 trilhões em ativos totais de clientes, alta de 22% em 12 meses, e projeta receita bruta de até R$ 26,8 bilhões para 2026, com o CFO Victor Mansur destacando "ventos favoráveis" pela primeira vez desde 2022.
A maior plataforma de investimentos do Brasil acaba de cruzar uma marca simbólica e financeiramente relevante: R$ 2 trilhões em ativos totais de clientes. O número, divulgado no balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), consolida um ano de recordes para a XP Inc. e abre caminho para projeções otimistas em 2026, segundo a própria companhia.
Em participação no Morning Call XP, o CFO Victor Mansur detalhou o desempenho do ano passado e traçou as principais linhas de atuação para o novo exercício. A mensagem central: mesmo diante de juros altos e volatilidade política no Brasil e nos Estados Unidos, a XP conseguiu entregar crescimento consistente — e agora vê o cenário macro se tornando aliado, não obstáculo.
Resultados do 4T25: receita e lucro em alta
O quarto trimestre de 2025 consolidou a trajetória positiva da XP. A receita bruta atingiu R$ 5,24 bilhões, um avanço de 12% na comparação anual e de 7% frente ao terceiro trimestre. Já a receita líquida ficou em R$ 4,95 bilhões no período, crescimento de 10% sobre o 4T24.
O lucro líquido ajustado somou R$ 1,33 bilhão no trimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o lucro alcançou R$ 5,2 bilhões, representando expansão de 15% sobre 2024.
O EBT ajustado (resultado antes de impostos) chegou a R$ 1,55 bilhão, salto de 20% na comparação anual e de 16% no trimestre. A margem EBT subiu para 31,3%, representando um ganho de 252 pontos-base em 12 meses e de 271 pontos-base no trimestre — sinal de maior eficiência operacional. O ROAE (retorno sobre patrimônio líquido médio) ficou em 22,8%.
| Indicador | 4T25 | Variação Anual | Variação Trimestral |
|---|---|---|---|
| Receita Bruta | R$ 5,24 bi | +12% | +7% |
| Receita Líquida | R$ 4,95 bi | +10% | — |
| Lucro Líquido Ajustado | R$ 1,33 bi | +10% | Estável |
| EBT Ajustado | R$ 1,55 bi | +20% | +16% |
| Margem EBT | 31,3% | +252 bps | +271 bps |
| ROAE | 22,8% | -59 bps | -20 bps |
Ativos sob custódia superam R$ 1,49 trilhão
A base de ativos sob custódia (AuC) da XP encerrou o trimestre em R$ 1,49 trilhão, expansão de 16% em 12 meses e de 5% no trimestre. Somando-se os ativos sob gestão (AuM) e sob administração (AuA), o total de ativos de clientes alcançou os R$ 2,08 trilhões, crescimento de 22% no ano.
A captação líquida total no 4T25 foi de R$ 32 bilhões, avanço de 10% tanto na comparação anual quanto trimestral. Do total, R$ 20 bilhões vieram do segmento de varejo, mantendo o ritmo consistente observado nos trimestres anteriores.
A XP encerrou 2025 com resultados recordes que refletem a execução consistente, com maior diversificação no varejo e aceleração nas operações de atacado.
Atacado como destaque; varejo resiliente
O segmento de atacado (wholesale banking) foi o grande destaque do trimestre, com receita de R$ 895 milhões — crescimento expressivo de 49% na comparação anual. O desempenho foi puxado pela forte atividade no mercado de dívida corporativa (DCM), que se beneficiou do ambiente de juros elevados.
No varejo, a receita somou R$ 3,86 bilhões, alta de 8% sobre o 4T24. Produtos de renda fixa, fundos de investimento, seguros, cartões de crédito e previdência foram os principais motores de crescimento no segmento. Um dado relevante: a taxa de reinvestimento em produtos com garantia do FGC atingiu cerca de 80%, superando a média histórica de 65% a 70% — indicativo de que os clientes continuam confiando na plataforma mesmo em momentos turbulentos.
A proporção de clientes no modelo fee-based (baseado em taxa fixa de assessoria) chegou a 23% da base assessorada, refletindo a migração gradual para um modelo mais recorrente de receita.
NPS em queda: o ponto de atenção
Nem tudo foi positivo. O Net Promoter Score (NPS), métrica que mede a satisfação dos clientes, caiu de 74 pontos no terceiro trimestre para 65 pontos no 4T25 — uma retração significativa.
O CFO Victor Mansur atribuiu a queda a "episódios exógenos" envolvendo empresas como Ambipar, Braskem e Banco Master, que afetaram um grupo específico de clientes. A expectativa é de normalização entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, com os meses de janeiro e fevereiro já mostrando sinais de melhora.
Guidance 2026: receita de até R$ 26,8 bilhões
Para 2026, a XP divulgou projeções ambiciosas. A companhia projeta receita bruta entre R$ 22,8 bilhões e R$ 26,8 bilhões, com margem EBT entre 30% e 34% ao longo do ano.
Segundo Victor Mansur, o guidance foi "traçado sem considerar melhora macroeconômica", o que significa que a empresa se sente confortável para entregar os números independentemente das condições do cenário. Desde o IPO em 2019, o lucro por ação (EPS) da XP cresce, em média, 29% ao ano — um ritmo que a administração pretende manter.
Pela primeira vez desde 2022, temos um vento favorável: um risco macro que é mais pró-positivo do que negativo para os resultados da XP.
O executivo destacou um efeito técnico importante: atualmente, a taxa Selic de curto prazo supera as taxas longas. À medida que o Banco Central promover cortes na Selic, a curva de juros tende a se "normalizar", reduzindo a distorção em que o investidor recebe mais no curto prazo do que ao alongar prazos na renda fixa. Esse movimento deve destravar a demanda por outros produtos e prazos mais longos — um cenário favorável para a diversificação de receitas da XP.
Mudança estratégica: de captação para retenção
A XP também sinalizou uma mudança de filosofia. O foco agora não é mais a aquisição agressiva de novos clientes, mas sim a retenção e o aumento de produtividade a partir da base existente. A companhia está desenvolvendo uma plataforma automatizada chamada "Portfólio Inteligente", inspirada no modelo da americana Charles Schwab, para atender segmentos com menor custo operacional.
No segmento de varejo baixo, a XP perdeu entre R$ 40 bilhões e R$ 48 bilhões acumulados em 24 meses, equivalente a cerca de 200 pontos-base de market share. No segmento de pequenas e médias empresas, a saída líquida foi de R$ 3 bilhões. A nova plataforma visa justamente estancar essas perdas com um modelo de atendimento escalável.
O que os analistas dizem
O mercado reagiu de forma mista ao balanço. As ações da XP recuaram 1,47% na bolsa de Nova York, cotadas a US$ 19,48, apesar das avaliações favoráveis dos analistas.
Visão dos Analistas
Destacou surpresa positiva na linha de receita, com forte desempenho em mercado de capitais e despesas controladas.
Ressaltou o desempenho robusto no trimestre, puxado por serviços corporativos, com potencial de expansão de lucro continuando em 2026.
Elogiou o crescimento de 16% nos ativos sob custódia em 12 meses e espera que o momento sólido continue no primeiro trimestre de 2026.
Reconheceu resultados positivos, mas indicou que a melhora de sentimento no curto prazo depende de condições macro favoráveis e maior tração de receita.
Mudanças na governança
A XP Control LLC, estrutura de controle da companhia, passou por reestruturação na composição de acionistas votantes. Thiago Maffra, CEO, e José Berenguer foram incluídos como sócios com direito a voto, reforçando o alinhamento entre gestão operacional e governança societária.
Como isso impacta o investidor brasileiro
Os resultados da XP funcionam como um termômetro do mercado financeiro brasileiro. Com R$ 2 trilhões sob gestão, as decisões da companhia — como priorizar renda fixa ou ampliar crédito — influenciam diretamente milhões de investidores.
Para quem investe ou está pensando em investir, o cenário de juros altos torna a renda fixa especialmente atrativa. Simular quanto seu dinheiro pode render em diferentes cenários é essencial para tomar boas decisões.
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A Trajetória da XP Inc.
IPO na Nasdaq
A XP abre capital na bolsa de Nova York, marcando um dos maiores IPOs de uma empresa brasileira.
Cenário desafiador
Juros em alta e volatilidade política criam "ventos contrários" para o mercado de investimentos.
Lucro de R$ 4,5 bilhões
A XP registra ano de recordes com ROAE de 23% e distribui R$ 4,2 bilhões aos acionistas.
R$ 2 trilhões em ativos
A companhia ultrapassa a marca de R$ 2 trilhões em ativos totais de clientes, com lucro de R$ 5,2 bilhões.
Projeção otimista
Guidance aponta receita bruta de até R$ 26,8 bilhões e o CFO declara ver "ventos favoráveis" pela primeira vez desde 2022.
Perguntas Frequentes
Esse número representa a soma de todos os ativos sob custódia, gestão e administração dos clientes da XP. É uma medida do tamanho e da relevância da plataforma no mercado financeiro brasileiro.
É a projeção oficial da empresa para o ano: receita bruta entre R$ 22,8 bi e R$ 26,8 bi, com margem EBT de 30% a 34%. Segundo o CFO, essas metas não dependem de melhora no cenário macroeconômico.
A queda de 74 para 65 pontos foi atribuída a eventos envolvendo Ambipar, Braskem e Banco Master, que impactaram clientes específicos. A empresa espera recuperação já no primeiro semestre de 2026.
Com a Selic elevada, produtos de renda fixa se tornam mais atrativos, gerando maior receita para a plataforma. Além disso, a atividade no mercado de dívida corporativa (atacado) se intensifica, como visto no crescimento de 49% do segmento.
É uma plataforma automatizada em desenvolvimento, inspirada no modelo da Charles Schwab, que visa atender clientes de menor ticket com custos operacionais mais baixos e de forma escalável.