A diferença entre reconstituição e diluição de medicamentos (e por que isso importa)
A fórmula do volume a aspirar e como aplicá-la na prática
A fórmula C1V1 = C2V2 e quando usá-la
Como calcular a concentração final após a diluição
Exemplos práticos resolvidos com dipirona, ceftriaxona e vancomicina
Como usar a Calculadora de Diluição do Tudo Cálculo para conferir seus cálculos
Erros comuns que colocam o paciente em risco e como evitá-los
Diluição de Medicamentos: Guia Completo para Enfermagem — Fórmulas, Reconstituição e Passo a Passo
Se existe um cálculo que tira o sono de estudantes e profissionais de enfermagem, é o de diluição de medicamentos. E não é à toa: um estudo publicado na Revista Infarma (CFF) identificou que 69,5% das doses preparadas em ambiente hospitalar apresentaram ao menos um erro de diluição. A maioria das dúvidas feitas por técnicos de enfermagem aos enfermeiros — cerca de 40% de todos os questionamentos — são sobre diluição.
Neste guia completo, vamos descomplicar tudo: desde a diferença entre reconstituir e diluir, passando pelas fórmulas essenciais, até exemplos resolvidos com medicamentos que você vai encontrar no dia a dia. E o melhor: você pode conferir cada cálculo na nossa calculadora online gratuita.
Reconstituição vs. Diluição: entenda a diferença
Antes de qualquer cálculo, você precisa entender que reconstituir e diluir são etapas diferentes. Confundir as duas é um dos erros mais comuns.
Reconstituição
É o ato de transformar um medicamento que está na forma de pó (liofilizado) em líquido, adicionando um solvente (diluente) ao frasco-ampola. O pó precisa ser dissolvido antes de poder ser usado.
Exemplo: A ceftriaxona 1 g vem em pó. Você adiciona 10 mL de água destilada ao frasco para obter uma solução de 100 mg/mL. Agora o medicamento está na forma líquida.
Diluição
É o ato de reduzir a concentração de um medicamento que já está na forma líquida, adicionando mais solvente (diluente). O objetivo é chegar a um volume ou concentração adequados para administração.
Exemplo: Após reconstituir a ceftriaxona (100 mg/mL), você aspira a dose e adiciona em 100 mL de SF 0,9% para infundir por via IV em 30 minutos.
Reconstituição = pó → líquido (obrigatório para medicamentos liofilizados). Diluição = líquido concentrado → líquido menos concentrado (para adequar à via de administração). Muitas vezes, você precisa fazer os dois em sequência: primeiro reconstitui, depois dilui.
Termos que você precisa conhecer
- Soluto
- O medicamento em si — a substância ativa que será dissolvida ou diluída.
- Solvente / Diluente
- O líquido usado para dissolver ou diluir o medicamento. Os mais comuns são: Água Destilada (AD), Soro Fisiológico 0,9% (SF), Soro Glicosado 5% (SG 5%).
- Concentração (mg/mL)
- Quantidade de medicamento (em mg) presente em cada mililitro de solução. Exemplo: 500 mg/5 mL = 100 mg/mL.
- Volume a aspirar
- Quantidade (em mL) que você precisa retirar do frasco para obter a dose prescrita.
- Frasco-ampola
- Recipiente de vidro com tampa de borracha que contém o medicamento em pó ou líquido. Precisa de agulha para aspirar.
- Ampola
- Recipiente de vidro selado que contém o medicamento já em forma líquida. Precisa ser quebrada para aspirar.
- Liofilizado
- Medicamento que passou por um processo de desidratação (liofilização) e se apresenta na forma de pó. Precisa ser reconstituído antes do uso.
Fórmula 1: Volume a aspirar
Esta é a fórmula mais usada no dia a dia. Quando o médico prescreve uma dose e o medicamento tem uma concentração conhecida, você precisa descobrir quantos mL aspirar.
Onde: Dose prescrita = quantidade de medicamento que o médico pediu | Concentração = quanto de medicamento tem em cada mL do frasco
A concentração vem na embalagem do medicamento. Pode aparecer de duas formas: direta (ex: dipirona 500 mg/mL) ou indireta (ex: ceftriaxona 1 g em frasco-ampola — nesse caso, após reconstituir com 10 mL de AD, a concentração será 1.000 mg ÷ 10 mL = 100 mg/mL).
Exemplo 1: Dipirona (ampola líquida)
Prescrição: Dipirona 750 mg IV | Apresentação: Dipirona 500 mg/mL — ampola de 2 mL
Identifique os dados
Dose prescrita = 750 mg. Concentração do frasco = 500 mg/mL. A ampola tem 2 mL, portanto contém 1.000 mg no total (500 × 2).
Aplique a fórmula
Volume a aspirar = Dose prescrita ÷ Concentração = 750 ÷ 500
Calcule
Volume a aspirar = 1,5 mL.
Confira se faz sentido
A ampola tem 2 mL com 1.000 mg. Você precisa de 750 mg, que são 3/4 da ampola. 3/4 de 2 mL = 1,5 mL. Bate!
Aspire e administre
Aspire 1,5 mL da ampola de dipirona. Restam 0,5 mL (250 mg) que devem ser descartados conforme protocolo institucional.
Aspire 1,5 mL da ampola de dipirona 500 mg/mL para obter a dose de 750 mg.
Exemplo 2: Ceftriaxona (frasco-ampola com pó)
Prescrição: Ceftriaxona 1 g IV | Apresentação: Ceftriaxona 1 g pó — frasco-ampola
Reconstitua o medicamento
A ceftriaxona vem em pó. Adicione 10 mL de água destilada ao frasco-ampola e agite suavemente até dissolver completamente.
Calcule a concentração após reconstituição
Concentração = 1.000 mg ÷ 10 mL = 100 mg/mL.
Aplique a fórmula do volume a aspirar
Volume = 1.000 mg ÷ 100 mg/mL = 10 mL (o frasco inteiro).
Dilua para infusão IV
Como a via é intravenosa, aspire os 10 mL e adicione em 100 mL de SF 0,9% para infusão em 30 minutos.
Resultado final
Volume total para infusão: 110 mL (10 mL do medicamento + 100 mL do diluente). Concentração final: 1.000 mg ÷ 110 mL ≈ 9,1 mg/mL.
A ceftriaxona não pode ser diluída com Ringer Lactato (incompatibilidade com cálcio). Use sempre SF 0,9% ou SG 5%. Sempre consulte a bula e a tabela de compatibilidade do hospital.
Fórmula 2: C1V1 = C2V2
Essa é a fórmula universal de diluição. Ela diz que a quantidade de soluto antes da diluição é igual à quantidade depois. É usada quando você precisa chegar a uma concentração específica.
C1 = concentração inicial | V1 = volume inicial | C2 = concentração desejada | V2 = volume final
Na prática, você normalmente conhece C1, V1 e C2, e precisa encontrar V2 (volume final) ou o volume de diluente a adicionar (V2 − V1).
Use quando precisar calcular o volume final para chegar a uma concentração específica. Exemplo: você tem uma solução de medicamento a 100 mg/mL e precisa diluir até 5 mg/mL para infundir — C1V1 = C2V2 resolve isso.
Exemplo 3: Vancomicina (reconstituição + diluição com C1V1 = C2V2)
Prescrição: Vancomicina 1 g IV em concentração máxima de 5 mg/mL | Apresentação: Vancomicina 500 mg pó — frasco-ampola
Reconstitua o primeiro frasco
Adicione 10 mL de água destilada ao frasco de vancomicina 500 mg. Concentração = 500 mg ÷ 10 mL = 50 mg/mL. Repita com o segundo frasco (precisa de 2 frascos para 1 g).
Calcule o volume total aspirado
Dose prescrita = 1.000 mg. Concentração após reconstituição = 50 mg/mL. Volume a aspirar = 1.000 ÷ 50 = 20 mL (10 mL de cada frasco).
Aplique C1V1 = C2V2 para encontrar o volume final
C1 = 50 mg/mL | V1 = 20 mL | C2 = 5 mg/mL (concentração máxima permitida) | V2 = ? V2 = (C1 × V1) ÷ C2 = (50 × 20) ÷ 5 = 1.000 ÷ 5 = 200 mL.
Calcule o volume de diluente
Volume de diluente = V2 − V1 = 200 − 20 = 180 mL de SF 0,9%.
Monte a infusão
Aspire os 20 mL de vancomicina reconstituída e adicione em 180 mL de SF 0,9%. Volume final: 200 mL a uma concentração de 5 mg/mL. Infundir em no mínimo 1 hora (velocidade máxima de 10 mg/min para evitar a "Síndrome do Homem Vermelho").
A vancomicina nunca deve ser administrada em bolus (injeção direta). Infundir rápido demais pode causar a "Síndrome do Homem Vermelho" — uma reação grave com vermelhidão, hipotensão e prurido. O tempo mínimo de infusão é 1 hora para cada 1 g. Sempre dilua adequadamente e use bomba de infusão quando disponível.
Fórmula 3: Concentração final
Depois de diluir, você precisa saber a concentração final para confirmar que está dentro da faixa segura.
Volume total = volume do medicamento aspirado + volume do diluente adicionado
Exemplo 4: Verificando a concentração
Você diluiu 500 mg de medicamento (aspirou 5 mL) em 95 mL de SF. Qual a concentração final?
Identifique os dados
Dose total = 500 mg. Volume aspirado = 5 mL. Volume de diluente = 95 mL. Volume total = 5 + 95 = 100 mL.
Aplique a fórmula
Concentração final = 500 ÷ 100 = 5 mg/mL.
Verifique a faixa permitida
Consulte a bula ou o guia de diluição do hospital para confirmar se 5 mg/mL está dentro do limite seguro para aquele medicamento e via de administração.
Use a Calculadora de Diluição
Fazer esses cálculos na mão no meio de um plantão corrido é arriscado. Use nossa calculadora online para conferir seus cálculos antes de preparar o medicamento:
Calculadora de Diluição de Medicamentos
Calcule o volume a aspirar, a concentração final e o número de doses no frasco. Com alertas automáticos de segurança e passo a passo visual da diluição.
Como usar a calculadora passo a passo
Passo a passo para usar a Calculadora de Diluição
Informe a concentração do frasco (mg/mL)
Este é o valor que vem na embalagem do medicamento. Exemplo: dipirona 500 mg/mL. Se o medicamento é em pó e você reconstituiu com 10 mL, divida a quantidade total pelo volume: ex. 1.000 mg ÷ 10 mL = 100 mg/mL.
Informe o volume do frasco (mL)
Quantos mL tem no frasco ou ampola. Exemplo: ampola de dipirona = 2 mL; frasco de ceftriaxona reconstituído = 10 mL.
Informe a dose prescrita (mg)
A quantidade que o médico prescreveu. Exemplo: Dipirona 750 mg, Ceftriaxona 1.000 mg.
Informe o volume de diluente (opcional)
Se vai diluir para infusão IV, informe quantos mL de soro vai adicionar. Exemplo: 100 mL de SF 0,9%. Deixe em branco se for administrar direto (bolus).
Selecione a via de administração
Escolha entre IV (intravenosa), IM (intramuscular) ou SC (subcutânea). A calculadora considera as particularidades de cada via.
Leia os resultados
A calculadora mostra: volume a aspirar, concentração final, dose total disponível no frasco, número de doses possíveis, e um passo a passo visual da diluição. Se algo parecer errado (dose maior que o disponível, volume muito pequeno), ela exibe alertas de segurança.
Tabela de diluição de medicamentos comuns
Aqui estão os dados de reconstituição e diluição dos medicamentos mais usados no ambiente hospitalar:
| Medicamento | Apresentação | Reconstituição | Concentração após reconstituição | Diluente para IV | Volume de diluição IV | Tempo de infusão |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Dipirona | 500 mg/mL — ampola 2 mL | Não precisa (já é líquida) | 500 mg/mL | SF 0,9% ou SG 5% | 10-20 mL (bolus lento) | 3-5 min |
| Ceftriaxona | 1 g pó — frasco-ampola | 10 mL de AD | 100 mg/mL | SF 0,9% ou SG 5% | 50-100 mL | 15-30 min |
| Vancomicina | 500 mg pó — frasco-ampola | 10 mL de AD | 50 mg/mL | SF 0,9% ou SG 5% | Até conc. ≤ 5 mg/mL | ≥ 60 min por grama |
| Amoxicilina + Clavulanato | 1 g + 200 mg pó — frasco-ampola | 20 mL de AD | 50 mg/mL (amox) | SF 0,9% | 50-100 mL | 30-40 min |
| Omeprazol | 40 mg pó — frasco-ampola | 10 mL de AD (próprio) | 4 mg/mL | Não diluir mais | Bolus direto | 3-5 min |
| Hidrocortisona | 500 mg pó — frasco-ampola | 5 mL de AD | 100 mg/mL | SF 0,9% ou SG 5% | 50-100 mL (se IV lento) | 1-3 min (bolus) ou 15-30 min |
| Ampicilina | 1 g pó — frasco-ampola | 10 mL de AD | 100 mg/mL | SF 0,9% | 50-100 mL | 15-30 min |
| Metronidazol | 500 mg/100 mL — bolsa | Não precisa (já é líquido) | 5 mg/mL | Não precisa | Já vem pronto | 30-60 min |
Estes são dados gerais baseados em guias hospitalares brasileiros. Sempre consulte a bula do fabricante específico e o guia de diluição do seu hospital antes de preparar qualquer medicamento. Apresentações e recomendações podem variar entre fabricantes.
Os diluentes mais usados
Nem todo diluente serve para todo medicamento. Usar o diluente errado pode causar precipitação, inativação do fármaco ou reação adversa.
| Diluente | Abreviação | Quando usar | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Água Destilada | AD | Reconstituição de pós liofilizados | Não usar em grandes volumes IV (hipotônica — pode causar hemólise) |
| Soro Fisiológico 0,9% | SF | Diluição para infusão IV (mais usado) | Compatível com a maioria dos medicamentos |
| Soro Glicosado 5% | SG 5% | Diluição para infusão IV quando SF é contraindicado | Não usar com ampicilina (instável) |
| Ringer Lactato | RL | Reposição volêmica | Incompatível com ceftriaxona (presença de cálcio) |
| Diluente próprio do fabricante | — | Alguns medicamentos vêm com diluente específico | Omeprazol e alguns quimioterápicos |
Erros comuns e como evitá-los
Estes são os erros mais frequentes na diluição de medicamentos, baseados em estudos brasileiros:
Usar SG 5% quando o medicamento é instável em glicose (ex: ampicilina), ou Ringer Lactato com ceftriaxona (incompatibilidade com cálcio). Solução: sempre consulte a bula ou o guia de diluição antes de preparar.
Passo a passo completo: do frasco ao paciente
Aqui está o fluxo completo que você deve seguir sempre que preparar um medicamento para administração IV:
Fluxo Completo de Preparo e Diluição
Confira a prescrição médica
Verifique: nome do medicamento, dose (mg), via de administração (IV, IM, SC), frequência e horário. Aplique os 9 certos da administração de medicamentos.
Consulte o guia de diluição
Verifique na bula ou no guia institucional: qual diluente usar para reconstituição, qual diluente para diluição, volume recomendado, concentração máxima permitida e tempo de infusão.
Faça a reconstituição (se necessário)
Se o medicamento vem em pó, adicione o volume de diluente recomendado ao frasco-ampola. Agite suavemente até dissolver completamente. Observe se a solução está límpida e sem partículas.
Calcule o volume a aspirar
Aplique: Volume (mL) = Dose prescrita (mg) ÷ Concentração (mg/mL). Confira na calculadora se tiver dúvida.
Aspire o medicamento com técnica asséptica
Use seringa e agulha adequadas. Mantenha técnica asséptica. Para volumes menores que 1 mL, use seringa de 1 mL (insulina) para maior precisão.
Dilua para infusão (se aplicável)
Adicione o medicamento aspirado ao volume de diluente prescrito (SF 0,9%, SG 5% etc.). Homogeneíze invertendo a bolsa suavemente.
Calcule e confira a concentração final
Concentração final = Dose (mg) ÷ Volume total (mL). Verifique se está dentro da faixa permitida.
Rotule a preparação
Identifique com: nome do paciente, medicamento, dose, volume, diluente, data/hora do preparo, velocidade de infusão e nome de quem preparou.
Administre e monitore
Instale a infusão, ajuste o gotejamento ou programe a bomba, e monitore o paciente durante toda a administração.
Mais exemplos para praticar
Exemplo 5: Dose fracionada de dipirona (pediatria)
Prescrição: Dipirona 300 mg IV para criança de 12 kg | Apresentação: Dipirona 500 mg/mL — ampola 2 mL
Identifique os dados
Dose prescrita = 300 mg. Concentração = 500 mg/mL.
Calcule o volume a aspirar
Volume = 300 ÷ 500 = 0,6 mL.
Cuidado com volumes pequenos
0,6 mL é um volume pequeno. Use seringa de 1 mL para maior precisão. Uma seringa de 5 mL não tem marcação precisa o suficiente para 0,6 mL.
Dilua para administração
Para administração IV em criança, dilua os 0,6 mL em 10 mL de SF 0,9% e infunda lentamente em 3-5 minutos.
Exemplo 6: Quantas doses no frasco?
Frasco de hidrocortisona 500 mg. Prescrição: 100 mg a cada 8h. Quantas doses o frasco rende?
Identifique os dados
Total no frasco = 500 mg. Dose por vez = 100 mg.
Calcule
Número de doses = 500 ÷ 100 = 5 doses.
Na prática
O frasco rende 5 doses de 100 mg. Porém, após reconstituído, verifique a estabilidade — muitos medicamentos devem ser usados em até 24 horas após a reconstituição (refrigerados) ou imediatamente (se em temperatura ambiente).
Resumo das fórmulas
Volume a aspirar
mL = Dose (mg) ÷ Concentração (mg/mL)
C1V1 = C2V2
V2 = (C1 × V1) ÷ C2
Concentração final
mg/mL = Dose (mg) ÷ Volume total (mL)
Sempre que terminar o cálculo, faça a pergunta de verificação: "faz sentido eu aspirar esse volume?". Se o cálculo deu 0,1 mL ou 15 mL de uma ampola de 2 mL, algo pode estar errado. Revise os dados e refaça o cálculo. Na dúvida, confira na calculadora e peça a um colega para fazer o cálculo independente (dupla checagem).
Perguntas Frequentes
Perguntas Frequentes sobre Diluição de Medicamentos
Reconstituição é o processo de transformar um medicamento em pó (liofilizado) em líquido, adicionando um solvente ao frasco-ampola. Diluição é o processo de reduzir a concentração de um medicamento que já está na forma líquida, adicionando mais diluente. Muitas vezes você precisa fazer os dois em sequência: primeiro reconstituir o pó, depois diluir a solução para infusão.
É a fórmula universal de diluição. Ela diz que a quantidade de medicamento (em mg) antes e depois da diluição é a mesma — o que muda é a concentração. C1 é a concentração inicial, V1 é o volume inicial, C2 é a concentração desejada e V2 é o volume final. Use quando precisar calcular quanto diluente adicionar para chegar a uma concentração específica.
A concentração vem na embalagem do medicamento. Se está escrito "500 mg/mL", a concentração é 500 mg/mL direto. Se o medicamento vem em pó (ex: "1 g de ceftriaxona"), você precisa reconstituir primeiro e depois calcular: concentração = mg total ÷ mL de diluente adicionado.
Não. Cada medicamento tem diluentes compatíveis. Usar o diluente errado pode causar precipitação (o medicamento forma cristais), inativação (perde o efeito) ou reações adversas. Sempre consulte a bula ou o guia de diluição do hospital. Os mais seguros e universais são Água Destilada (para reconstituição) e SF 0,9% (para diluição IV).
Volumes menores que 0,1 mL são difíceis de medir com precisão, mesmo com seringas de 1 mL. Nesse caso, considere fazer uma diluição prévia: reconstitua ou dilua o medicamento em um volume maior para aumentar o volume a aspirar. Exemplo: em vez de aspirar 0,05 mL de uma solução concentrada, dilua 1 mL em 9 mL de SF e aspire 0,5 mL da solução diluída. Sempre confira com o farmacêutico.
Varia por medicamento. Em geral: imediatamente a 6 horas em temperatura ambiente, ou 24 horas a 14 dias refrigerado (2-8°C). A vancomicina, por exemplo, dura até 14 dias refrigerada. Já a ampicilina deve ser usada em até 1 hora após reconstituição. Sempre consulte a bula.
Não. A calculadora é uma ferramenta auxiliar para conferir cálculos. O profissional de enfermagem deve saber fazer o cálculo manualmente, entender os princípios da diluição, conhecer as compatibilidades dos medicamentos e seguir os protocolos institucionais. A calculadora ajuda a evitar erros aritméticos, mas o julgamento clínico é insubstituível.
Não necessariamente. Medicamentos para via intramuscular geralmente são administrados em volumes menores (até 5 mL por aplicação) e com concentrações mais altas. A diluição excessiva para IM pode causar dor e aumento do volume no local. Já para via IV, a diluição é quase sempre necessária para reduzir a concentração e evitar flebite. Cada via tem suas regras específicas.
Confira seus cálculos agora
Não arrisque no preparo de medicamentos. Use nossa calculadora gratuita para conferir o volume a aspirar, a concentração final e o número de doses do frasco, com alertas automáticos de segurança.
Este conteúdo é educativo e informativo. A diluição e administração de medicamentos devem ser sempre realizadas por profissionais habilitados, seguindo a prescrição médica, a bula do fabricante e os protocolos da instituição de saúde. Em caso de dúvida, consulte o farmacêutico ou o enfermeiro responsável. Nunca prepare ou administre medicamentos sem orientação adequada.

