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Investimento
5 min de leitura

Perda de confiança nos EUA dispara corrida global por ativos alternativos

Relatório do InfoMoney aponta que a crise de confiança nas instituições dos EUA provoca rotação de capitais para ouro, mercados emergentes e ativos reais; gestores da Truxt comentam causas e impactos.

InfoMoney

Perda de confiança nos EUA dispara corrida global por ativos alternativos

Perda de confiança nos EUA dispara corrida global por ativos alternativos

Fato principal

A desconfiança internacional em relação aos EUA tem deslocado fluxos de capital para emergentes, metais e ativos reais, em um movimento que gestores classificam como "debasement" do dólar, segundo reportagem do InfoMoney.

A perda de confiança internacional nas instituições e nas decisões políticas dos Estados Unidos vem alterando a dinâmica dos mercados globais. Relato da reportagem do InfoMoney mostra que esse processo tem impulsionado uma rotação de capitais — o chamado Rotation Trade — da economia americana para outras regiões e classes de ativos, com destaque para ouro, commodities e mercados emergentes.

InfoMoney (reportagem de Osni Alves)
Fonte
Cobertura publicada em 20/02/2026
Stock Pickers
Programa
Debate comandado por Lucas Collazo com convidados da Truxt Investimentos

Rotação global e erosão da hegemonia do dólar

Gestores ouvidos no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, descrevem a atual saída marginal de capitais dos ativos americanos como um processo estrutural, não apenas um choque conjuntural. O termo "debasement" do dólar passou a ser usado por especialistas para sintetizar a perda relativa do poder do dólar como centro de reservas e troca internacional. Como reflexo, há migração crescente de recursos para metais, ativos reais e mercados emergentes.

O que especialistas da Truxt destacaram

No episódio que marcou a nova fase do Stock Pickers, os convidados Artur Carvalho (sócio e economista-chefe da Truxt Investimentos) e Bruno Garcia (sócio e gestor da casa) explicaram as razões por trás da mudança de comportamento dos investidores e governos.

Carvalho aponta um enfraquecimento das instituições americanas e do sistema de freios e contrapesos, e diz que decisões mais agressivas do Executivo aumentaram o receio de países que dependem do sistema financeiro dos EUA.
Artur Carvalhosocio e economista-chefe, Truxt Investimentos

Segundo Carvalho, ações do governo americano que antes promoviam integração hoje são percebidas por outros países como instrumentos que podem ser usados para pressionar ou punir — cenário que, conforme ele citou a fala do primeiro-ministro canadense Mark Carney em Davos, leva nações a reduzir exposição ao dólar e buscar alternativas como ouro e outras reservas.

Garcia relaciona a crise de confiança a fatores mais amplos desde o pós-2008, como aumento da desigualdade e a ascensão de líderes antipolitica, que traduzem uma reação da classe média contra um sistema percebido como excludente.
Bruno Garciasocio e gestor, Truxt Investimentos

Garcia observa também que o atual governo americano tem atuado com menos restrições políticas, buscando decisões rápidas antes de períodos eleitorais como os midterms, e que decisões controversas da Suprema Corte ampliam as tensões internas e internacionais.

Consequências práticas: para onde vão os capitais

De acordo com os gestores ouvidos pelo InfoMoney, a tendência de realocação é estrutural e favorece:

  • Ouro e metais preciosos, vistos como reserva de valor
  • Ativos reais e commodities
  • Mercados emergentes que oferecem alternativas de investimento

Essas movimentações pressionam a posição histórica do dólar como principal âncora financeira global.

Análise para o leitor brasileiro

Para investidores no Brasil, a mudança estrutural nos fluxos globais implica maior atenção à diversificação. A busca por proteção pode aumentar a atratividade de ativos reais, exposição a mercados externos fora dos EUA e instrumentos atrelados a metais. Além disso, decisões geopolíticas e riscos de intervenção econômica em nível internacional podem afetar volatilidade e preço de commodities, o que tem impacto direto na economia brasileira.

O que observar
  • Acompanhe movimentos no mercado de ouro e em ETFs que replicam metais.
  • Revise alocação de carteira para considerar exposição a emergentes e ativos reais.

Calculadora útil

Para quem deseja simular impactos em renda fixa ou comparar alternativas, utilize a calculadora de renda fixa do Tudo Cálculo:

Abrir calculadora
/calculadoras/renda-fixa

Linha do tempo (contexto)

Contexto histórico

2008
Crise financeira global

Especialistas citam o pós-2008 como ponto de ruptura para desigualdade e confiança nas instituições.

2026
Movimento atual

Perda de confiança nas ações do governo americano e uso percebido de instrumentos econômicos para fins políticos aceleram rotação de capitais, segundo InfoMoney.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Especialistas entrevistados pelo InfoMoney atribuem a combinação de ações executivas mais agressivas, enfraquecimento de freios e contrapesos e decisões internas controversas que elevam o receio internacional.

Ouro, metais, ativos reais e mercados emergentes são apontados como principais beneficiários da rotação global de capitais.

A mudança pode aumentar a volatilidade externa e criar oportunidades de diversificação fora de ativos atrelados ao dólar; é um momento para revisar alocação e considerar proteção por metais ou exposição a emergentes.


Fonte: Reportagem do InfoMoney — entrevista e debate no programa Stock Pickers, com comentários de Artur Carvalho e Bruno Garcia, da Truxt Investimentos.