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Investimento
5 min de leitura

Crise no Irã leva investidores a correr a portos seguros: Treasuries, ouro e franco suíço

A escalada do conflito envolvendo o Irã aumentou a aversao ao risco nos mercados globais, levando investidores a buscar ativos tradicionais de segurança, como Treasuries, ouro e o franco suíço. Especialistas consultados pela Bloomberg, em reportagem reproduzida pelo InfoMoney, destacam risco no Estreito de Ormuz e possíveis efeitos sobre inflação, juros e mercados emergentes.

InfoMoney

Crise no Irã leva investidores a correr a portos seguros: Treasuries, ouro e franco suíço

Crise no Irã leva investidores a correr a portos seguros: Treasuries, ouro e franco suíço

Mercados reagem a escalada no Oriente Médio

A escalada do conflito com o Irã elevou a aversao ao risco e provocou uma corrida por ativos considerados seguros, como títulos do Tesouro dos EUA, ouro e o franco suíço. Fonte: Bloomberg, via InfoMoney.

A abertura dos mercados de energia e das negociações na Ásia será o principal termometro do sentimento dos investidores após a escalada do conflito no Oriente Médio, apontam estrategistas consultados pela Bloomberg e repercutidos pelo InfoMoney. A incerteza já pressionou moedas, ações e commodities, e aumentou a demanda por ativos de refúgio.

~25%
Participacao do Estreito de Ormuz
Percentual do petroleo embarcado por via maritima que passa por Ormuz
$68.000
Bitcoin (aproximado)
Recuperacao com forte demanda por protecao via opcoes
$1,87 bilhao
Valor de puts no Deribit (strike $60k)
Opcoes de venda concentradas indicam demanda por protecao
0,4%
Queda do S&P 500 na sexta
Maior queda mensal desde marco
Maior nivel desde julho
Brent
Fechamento em alta antes da escalada
-~5% na abertura
Tadawul (Arábia Saudita)
Reduziu perdas ao longo do dia

Por que os investidores buscam portos seguros

John Briggs, chefe de estrategia de juros dos EUA na Natixis, resumiu a reação imediata do mercado: :::quote author="John Briggs" role="Chefe de estrategia de juros dos EUA, Natixis" "porto seguro primeiro, perguntas depois". :::

Segundo Briggs, a intensidade dos ataques e da retaliação iraniana foi maior do que muitos esperavam. Como reflexo, os rendimentos (yields) de curto prazo dos Treasuries recuaram para niveis nao vistos desde 2022, tendência que, na visao dele, tende a se aprofundar.

Bruno Cordeiro, da StoneX, destaca que o principal receio e o fechamento ou interrupcao do trafego pelo Estreito de Ormuz — passagem vital por onde circula cerca de 25% do petroleo embarcado por via maritima. Se Ormuz for afetado, os precos de energia podem subir de forma acelerada.

Dave Mazza, da Roundhill Financial, acompanha o fluxo de navios no estreito e reforca a importancia da rota: :::quote author="Dave Mazza" role="Roundhill Financial" "Isso é sobre risco Ormuz, não sobre retaliação. Se o tráfego continuar aberto, as ações podem absorver o choque. Se não, todos os cenários mudam." :::

Contexto de mercado e fatores que amplificam o nervosismo

Analistas apontam que valoracoes elevadas em acoes e credito globais facilitaram o movimento de reducao de risco. Ed Al-Hussainy, da Columbia Threadneedle, lembra que o mercado ja vinha lidando com incertezas relativas a tarifas nos EUA, impactos da inteligencia artificial e riscos em credito privado: :::quote author="Ed Al-Hussainy" role="Columbia Threadneedle" "A extensão do ‘de-risking’ é um palpite de qualquer um" :::

Os estrategistas do Barclays aconselharam cautela antes de "comprar o mergulho". Ajay Rajadhyaksha escreveu em nota, segundo a Bloomberg: :::quote author="Ajay Rajadhyaksha" role="Estrategista, Barclays" "Os investidores se acostumaram a episódios geopolíticos que desaparecem rápido, mas este tem risco de durar mais", :::

e acrescentou: "O risco x retorno não parece atraente. Se as ações recuarem o suficiente (algo como mais de 10% no S&P 500), pode surgir uma boa janela para comprar. Mas ainda não."

Projecoes e impactos potenciais segundo estrategistas

  • Kevin Gordon (Charles Schwab) alerta para um potencial "susto inflacionario" de curto prazo caso os precos do petroleo subam de forma sustentada, o que afetaria o sentimento em bolsas.

  • Vincent Mortier (Amundi) projeta, no curto prazo, alta de 5% a 10% no petroleo, queda nas taxas dos Treasuries, ouro em alta e recuo moderado de acoes (cerca de 1%). Ele observa que o episodio tambem pode servir de justificativa para realizacao de lucros em mercados em maxima.

  • Francis Tan (Indosuez Wealth Management) espera um "gap de baixa" global, com impacto imediato em companhias aereas e turismo devido ao fechamento de espaco aereo e cancelamentos. Se a crise perdurar por meses, diz, o petroleo poderia superar US$ 100, reduzindo probabilidades de cortes de juros pelo Fed em 2026 e prejudicando acoes de crescimento.

  • Gregory Faranello (Amerivet Securities) acha que a operacao pode durar semanas, mas nao se arrastar excessivamente. Para ele, Treasuries permanecem nas faixas recentes, com possivel queda de juros se a demanda por porto seguro aumentar — mas, no final, Fed e dados economicos definirao a trajetoria das taxas.

  • Frank Monkam (Buffalo Bayou Commodities) classifica o ataque como um "catalisador quase perfeito" para uma correcao em um mercado acionario ja fragil e antecipa maior volatilidade no curto prazo. Ele alerta para o risco de "quase estagflacao" caso um choque de energia se concretize.

  • Rajeev de Mello (Gama Asset Management) lembra que emergentes seriam os mais afetados se houver escalada prolongada, sobretudo via aumento do petroleo: contas externas pioram, renda real cai e bancos centrais enfrentam dilemas entre crescimento e controle da inflacao.

  • Joe Gilbert (Integrity Asset Management) espera lideranca de setores como energia, metais, real estate, utilities e defesa, enquanto consumo discrecionario pode sofrer.

  • Stephan Kemper (BNP Paribas Wealth Management) projeta renda variavel "substancialmente mais baixa" no curto prazo, com risco principal vindo do petroleo; se os precos permanecerem altos, o crescimento sofrera e cortes de juros pelo Fed ficariam mais dificeis.

  • Madison Faller e Erik Wytenus (JPMorgan Private Bank) destacam que mesmo a possibilidade de interrupcao em fluxos de oleo e gas pode alterar custos de producao, precos ao consumidor e expectativas de politica monetaria; por isso recomendam portfolios mais resilientes, com exposicao a ouro e setores estrategicos.

  • Maxence Visseau (Arkevium) projeta queda inicial de 5 a 10 pontos-base nos yields dos Treasuries, mas avisa que, se o petroleo subir a US$ 80–90 por interrupcao em Ormuz, a curva de juros pode se inclinar novamente e remover cortes do Fed do preco, elevando as expectativas de inflacao.

O que isso significa para o investidor brasileiro

A alta do petroleo tende a pressionar a inflacao global e, por via reflexa, a brasileira. Precos de combustiveis, transporte e custos de insumos podem subir, comprimindo renda real e pressionando bancos centrais a manter politicas mais restritivas por mais tempo. Mercados emergentes, muitos importadores liquidos de energia, ficariam expostos a deterioracao de contas externas e maior volatilidade cambial.

Para investidores, os especialistas consultados recomendam cautela no curto prazo: considerar alocacao em ativos defensivos (ouro, renda fixa de qualidade, setores ligados a energia e utilidades) e revisar tolerancia a risco. Caso o choque de precos seja limitado e passageiro, quedas relevantes em acoes podem representar oportunidades de compra mais adiante.

Como isso pode afetar seus calculos financeiros

Se voce quiser estimar o impacto de variacoes de juros ou de uma carteira com maior exposicao a renda fixa, use a calculadora de renda fixa abaixo para simular retornos e testar diferentes cenarios de taxas.

Abrir calculadora
/calculadoras/renda-fixa

Cronologia resumida (contexto imediato)

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final de fevereiro de 2026
Ataques e retaliação

Escalada de ataques envolvendo o Irã e retaliações subsequentes.

sexta-feira (28)
Reacao inicial nos mercados

Brent fecha no maior nivel desde julho; S&P 500 cai 0,4% e registra pior mes desde marco.

domingo (1)
Mercados na Asia e Medio Oriente

Tadawul chega a abrir com queda de quase 5%, mas reduz perdas ao longo do dia; volatilidade em moedas e ativos segue elevada.

Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

Ativos historicamente procurados em momentos de crise, como Treasuries (titulos do Tesouro dos EUA), ouro e moedas refugio, por sua liquidez e percepcao de menor risco.

Cerca de 25% do petroleo embarcado por via maritima passa por Ormuz; interrupcoes ali elevam rapidamente os precos do petroleo.

Precos de energia mais altos aumentam o custo de vida e a presao inflacionaria, o que pode levar bancos centrais a postergar ou reduzir a magnitude de cortes de juros.

Reavaliar exposicao ao risco, considerar ativos defensivos e simular cenarios de juros e inflacao (por exemplo, com a calculadora de renda fixa). Diversificacao e liquidez sao importantes enquanto a incerteza persistir.

Fonte: reportagem da Bloomberg reproduzida pelo InfoMoney. Todos os dados e declaracoes citados sao da materia publicada por Bloomberg e divulgada em https://www.infomoney.com.br/onde-investir/crise-no-ira-leva-wall-street-a-estrategia-primeiro-porto-seguro-perguntas-depois/.