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Mercado
5 min de leitura

Fim da escala 6x1: XP projeta impacto relevante sobre varejistas listadas

Análise da XP Investimentos aponta que o fim da escala 6x1 e redução da jornada para 40 horas podem elevar custos trabalhistas; sem repasse, efeito médio projetado é de -8% no Ebitda e até -18% no lucro das varejistas. Fonte: InfoMoney / XP Investimentos.

InfoMoney

Fim da escala 6x1: XP projeta impacto relevante sobre varejistas listadas

Fim da escala 6x1: XP projeta impacto relevante sobre varejistas listadas

Ponto principal

A XP Investimentos estima que um aumento de 10% nos custos trabalhistas, sem repasse ao consumidor, reduziria em média o Ebitda das varejistas em 8% e o lucro líquido em até 18%. Fonte: InfoMoney / XP Investimentos.

A discussão sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil — que inclui o fim da escala 6×1 e a possibilidade de reduzir a semana de 44 para 40 horas — avançou nas articulações políticas e virou tema de atenção para empresas e investidores. Segundo relatório da XP Investimentos, consultado pelo InfoMoney, as consequencias para o setor varejista podem ser relevantes, especialmente em cadeias com maior intensidade de mão de obra e margens apertadas.

10%
Aumento hipotético de custos
Pressuposto usado pela XP para as projeções
-8%
Impacto médio no Ebitda
Se o aumento não for repassado ao consumidor
-18%
Impacto máximo no lucro líquido
Estimativa da XP no cenário sem repasse

O que está sendo proposto

A proposta em discussão tem três pilares principais, segundo a XP:

  • Encerramento da escala 6×1, com migração direta para o modelo 5×2.
  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, possivelmente com período de transição.
  • Manutenção dos salários atuais, sem compensações automáticas às empresas.

O governo tem tratado o tema como prioridade pré-eleitoral, e a proposta pode ser levada ao Congresso até maio, com a intenção de vinculá-la ao Dia do Trabalhador. Ainda não há definição sobre o rito legislativo: pode tramitar como projeto de lei ou como proposta de emenda constitucional (PEC). Fontes ouvidas pela XP apontam que o Congresso tende a preferir a via da PEC por permitir maior tempo de debate, enquanto setores do governo receiam falta de votos.

Como isso afetaria o varejo listado

A XP avaliou que a redução para 40 horas semanais implicaria, na prática, maiores custos de pessoal — via contratação adicional ou pagamento de horas extras — num setor que movimenta grande volume de mão de obra. Mesmo com eventual período de transição, os analistas que assinam o relatório (Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer) consideram pouco provável o repasse integral desses custos ao consumidor em um ambiente de forte competição e demanda ainda pressionada.

A magnitude do impacto varia conforme o perfil de cada companhia. Grupos com operação internacional ou margens operacionais mais robustas devem tolerar melhor o choque; já varejistas de alimentação e farmacêuticas, que historicamente trabalham com margens mais baixas e alta dependência de pessoal, ficariam mais expostas, sobretudo quando há alto nível de alavancagem.

Empresas e segmentos citados

A XP cita exemplos de empresas que tendem a sofrer menos por terem margens mais confortáveis ou presença internacional: Smart Fit (SMFT3), Mercado Livre (BDR: MELI34), Vivara (VIVA3), Track&Field (TFCO4), Vulcabras (VULC3) e Lojas Renner (LREN3).

Por outro lado, redes de alimentação e drogarias, pela estrutura de custos e perfil operacional, podem enfrentar pressão mais intensa sobre resultados.

Algumas companhias do varejo já começaram a testar o modelo 5×2, como RD Saúde (RADL3), Panvel (PNVL3) e GPA (PCAR3), segundo o relatório.

Medidas legislativas e fiscais em debate

Parte do Congresso tem defendido a renovação da desoneração da folha de pagamentos como forma de atenuar o aumento de custos para as empresas. No entanto, fontes consultadas pela XP indicam que o governo não demonstra apoio à renovação dessa desoneração, o que amplia a incerteza sobre o impacto final nos custos das empresas.

Análise para o leitor

Para consumidores, a mudança pode não se traduzir automaticamente em aumento de preços, especialmente em segmentos competitivos — mas é provável que empresas com margens mais estreitas sintam efeito direto no lucro em curto prazo. Para investidores, o cenário aponta para maior volatilidade nas ações do varejo mais intensivo em mão de obra e alavancagem. Já empresas com operações internacionais ou margens mais altas têm maior capacidade de absorver o choque.

Se você quiser estimar impactos em folha ou simular efeitos de mudança na jornada sobre custos, use a calculadora de folha de pagamento abaixo.

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Cronologia provável

2026-02
Debate ganha força

Discussões sobre o fim da escala 6x1 e redução para 40 horas entram na agenda política e econômica.

2026-05
Possível envio ao Congresso

Proposta pode ser encaminhada ao Legislativo até maio, para vinculação ao Dia do Trabalhador.

Perguntas Frequentes

A escala 6×1 permite seis dias de trabalho seguidos seguidos de um dia de folga; a proposta prevê migração ao modelo 5×2 (cinco dias trabalhados, dois de folga semanais).

A XP estima, no cenário hipotético de aumento de 10% nos custos trabalhistas sem repasse, queda média de 8% no Ebitda e até 18% no lucro líquido.

Alimentação e farmácias são citados como mais expostos por operarem com margens menores e dependerem intensamente de mão de obra.

Alguns parlamentares defendem renovar a desoneração da folha de pagamentos, mas a XP aponta que o governo não demonstra apoio a essa solução.

Fonte: reportagem do InfoMoney com base em análise da XP Investimentos (relatório assinado por Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer).