Desastres naturais causam R$ 28 bilhões em perdas no Brasil em 2025, diz estudo
O Brasil sofreu cerca de US$ 5,4 bilhões (aproximadamente R$ 28 bilhões) em prejuízos ligados a desastres naturais em 2025, segundo relatório da consultoria de riscos Aon, reproduzido pelo InfoMoney.
A consultoria global de riscos Aon estimou que, em 2025, desastres naturais provocaram perdas econômicas de aproximadamente US$ 5,4 bilhões no Brasil — cerca de R$ 28 bilhões na cotação usada no relatório. O levantamento, divulgado em fevereiro e replicado pelo InfoMoney, destaca que secas sazonais foram a principal causa das perdas domésticas, com impactos severos sobre a produção agrícola e riscos persistentes à cadeia do café.
Perdas no Brasil em 2025
De acordo com a Aon (relatório citado pelo InfoMoney), a estiagem que atingiu amplas áreas do país foi responsável por quase todo o montante reportado como prejuízo em 2025. A região amazônica, em particular, sofreu uma das secas mais intensas e prolongadas registradas, mantendo forças produtivas e socioambientais sob pressão. O Sudeste registrou sinais de recuperação ao longo do ano, mas a situação na Amazônia continuou a agravar a volatilidade regional.
O documento aponta ainda que a contribuição da geração hidrelétrica para o mix elétrico nacional — normalmente em torno de 66% — caiu para abaixo de 50% em agosto de 2025, situação diretamente ligada à redução de vazões e à escassez hídrica.
Impacto na produção agrícola e no café
As perdas agrícolas foram um dos principais vetores dos danos econômicos. A Aon chama atenção para riscos à indústria do café: a seca pode interromper a cadeia de fornecimento global, já que o Brasil é um dos maiores fornecedores do grão, ao lado de Colômbia e Vietnã. Segundo o relatório, o país acumulou cerca de US$ 139 bilhões em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos — o que equivaleu a aproximadamente R$ 726 bilhões na cotação utilizada.
A análise da consultoria também indica que condições de escassez severa podem comprometer até 54% das colheitas globais até 2050, reforçando a necessidade de ações de adaptação no setor agropecuário.
Energia: queda da participação hidrelétrica
A diminuição da geração hidrelétrica em agosto, para menos de 50% do total, evidencia o impacto direto da estiagem sobre a matriz elétrica. Reduções nesse patamar aumentam a dependência de fontes alternativas e elevam riscos de custo e fornecimento, com efeitos possíveis sobre tarifas e planejamento energético.
Ferramentas de mitigação e o papel dos seguros
Beatriz Protasio, CEO de Resseguros para o Brasil na Aon, destaca a necessidade de medidas específicas para mitigar riscos climáticos e agilizar recuperação após catástrofes. Ela afirma:
"Compreender os impactos dos riscos climáticos e a necessidade de adotar ferramentas que ajudem a transferir riscos, atenuar esses danos e agilizar a recuperação pós-catástrofe é de extrema importância. É necessário investimento em infraestruturas mais resilientes, além de mais conscientização de empresas, órgãos públicos e da sociedade."
O relatório ressalta que o mercado de seguros oferece instrumentos como o seguro paramétrico, que possibilita indenizações mais rápidas e transparentes em eventos climáticos, além de sistemas de alerta precoce e plataformas analíticas — como o Climate Risk Monitor (CRM) da Aon — baseadas em dados e modelos preditivos para apoiar a gestão de exposição a riscos climáticos.
Principais eventos climáticos extremos no Brasil em 2025
A Aon listou os eventos climáticos de maior impacto no país ao longo de 2025. Abaixo, reproduzimos a cronologia divulgada no relatório (valores em dólares):
Cronologia dos principais eventos no Brasil em 2025
Tempestade convectiva severa
Localização: Brasil — Fatalidades: 24 — Perda econômica: US$ 500 milhões
Seca
Localização: Brasil — Fatalidades: N/A — Perda econômica: US$ 4,8 bilhões
Inundação
Localização: Brasil — Fatalidades: 11 — Perda econômica: US$ 1 milhão
Tempestade convectiva severa
Localização: Brasil — Fatalidades: 4 — Perda econômica: US$ 110 milhões
Inundação
Localização: Brasil — Fatalidades: 0 — Perda econômica: N/A
Inundação
Localização: Brasil — Fatalidades: 0 — Perda econômica: N/A
Tempestade convectiva severa
Localização: Brasil — Fatalidades: 7 — Perda econômica: US$ 22 milhões
Inundação e tempestade convectiva severa
Localização: Brasil — Fatalidades: 0 — Perda econômica: US$ 10 milhões
Também em 2025, a Aon identificou que 49 eventos globais tiveram perdas econômicas acima de US$ 1 bilhão (acima da média histórica de 46), e 30 eventos geraram perdas seguradas superiores a US$ 1 bilhão (muito acima da média histórica de 17), ilustrando a acumulação crescente de episódios de magnitude média a alta.
Perdas globais e eventos de grande destaque
No plano internacional, a Aon estimou perdas econômicas globais de US$ 260 bilhões em 2025 — o menor total desde 2015 — enquanto as perdas seguradas somaram US$ 127 bilhões, mantendo-se acima de US$ 100 bilhões pelo sexto ano consecutivo.
Os incêndios na Califórnia (Palisades e Eaton) foram apontados como os mais caros do ano: causaram cerca de US$ 58 bilhões em perdas econômicas e US$ 41 bilhões em perdas seguradas, tornando-os os mais caros já registrados globalmente. Tempestades convectivas severas superaram ciclones tropicais como o risco segurado mais custoso do século 21, gerando US$ 61 bilhões em perdas seguradas em 2025.
As fatalidades globais em 2025 totalizaram 42 mil — influenciadas por terremotos e ondas de calor —, número que, segundo a Aon, ficou 45% abaixo da média do século 21. O terremoto em Mianmar foi o evento mais letal isolado (mais de 5 mil mortes), e as ondas de calor provocaram cerca de 25 mil óbitos globalmente.
O que isso significa para o brasileiro
- Para produtores rurais: maior volatilidade de safras e risco de interrupção de cadeias produtivas, especialmente no café, exigem estratégias de hedge climático, diversificação de fontes hídricas e adoção de seguros.
- Para consumidores e mercado de energia: a menor participação hidrelétrica pode pressionar custos de eletricidade e a necessidade de fontes alternativas e investimentos em infraestrutura resiliente.
- Para empresas e governos: aumenta a relevância de planos de gestão de risco, seguros (inclusive paramétricos) e sistemas de monitoramento para reduzir tempo de recuperação e perdas econômicas.
Use a calculadora de porcentagem para estimar quanto uma perda representa sobre receita ou produção. (Ex.: se uma safra vale R$ 100 milhões e perde R$ 5 milhões, a perda é 5%.)
Perguntas frequentes
Perguntas Frequentes
A concentração de geração hidrelétrica, grandes áreas agrícolas dependentes de chuvas e a extensão territorial expõem o país a impacto elevado quando há escassez hídrica prolongada.
Seguro paramétrico paga indenização baseada em um índice (por exemplo, precipitação abaixo de um limite) em vez de avaliação de prejuízo, acelerando pagamentos e reduzindo litígios.
O relatório aponta perdas significativas em 2025 (US$ 5,4 bi), mas também destaca que, acumuladamente, o país teve US$ 139 bi em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos. Não há no documento indicação de que 2025 foi o maior ano isolado na série histórica.
Além de seguros adequados, diversificação de renda, reserva de emergência e práticas resilientes em propriedades rurais e urbanas ajudam a mitigar impactos financeiros.
Fonte: relatório da consultoria Aon, reproduzido pelo InfoMoney (fevereiro de 2026).