Citi alerta: preços do petróleo podem cair se houver acordos de paz com Rússia e Irã
O Citi avalia que, embora o Brent esteja sustentado por sanções e interrupções, acordos de paz envolvendo Rússia e Irã até o verão podem empurrar os preços para baixo.
Segundo relatório do Citi citado pela Reuters e republicado pela InfoMoney (16/02/2026), os preços do petróleo têm se mantido em patamares elevados no curto prazo devido a sanções mais rígidas e a outras falhas na oferta, mas um desfecho diplomático ainda neste ano pode inverter esse cenário.
Contexto e razões para a sustentação dos preços
O banco cita que o avanço do Brent para perto de US$70 por barril no mês anterior refletiu, em parte, a aplicação mais rigorosa das sanções dos EUA contra o petróleo russo e iraniano, além de outras interrupções de oferta. Também foi mencionada a prática da China de adquirir petróleo russo e iraniano com desconto, tanto para consumo quanto para formação de estoques — comportamento que o Citi vê com probabilidade de continuidade em 2026, enquanto as sanções permanecerem em vigor.
Medidas e movimentações internacionais
A reportagem lembra que a União Europeia propôs, na semana anterior, estender sanções contra a Rússia para incluir portos em países terceiros — neste caso, portos na Geórgia e na Indonésia que movimentam petróleo russo — conforme documento acessado pela Reuters. Essa seria a primeira vez que o bloco mira portos de nações que não são diretamente parte do conflito.
Possível caminho para queda dos preços: acordos de paz
O Citi aponta um canal político pelo qual os EUA podem influenciar a acessibilidade do petróleo: negociações que resultem em acordos entre Rússia e Ucrânia e numa redução da tensão com o Irã. Na avaliação do banco, esses acordos, se concretizados até o verão do hemisfério norte, ajudariam a reduzir o Brent para a faixa de US$60-62 por barril e a diminuir os cracks (margens) do diesel e da gasolina entre US$5 e US$10.
"Nossa hipótese básica é que os acordos com o Irã e a Rússia-Ucrânia ocorram até o verão deste ano, contribuindo para uma queda nos preços para US$ 60-62/bbl Brent e reduzindo os cracks do diesel e da gasolina em US$ 5 a US$ 10."
Reação possível da OPEP+ e perspectiva de oferta
Se as interrupções de fornecimento russo mantiverem o Brent na faixa de US$65-70/bbl nos próximos meses, o Citi espera que a OPEP+ responda ampliando a produção a partir de capacidade ociosa. Fontes da própria OPEP+ indicaram que o grupo estaria inclinado a retomar aumentos de produção a partir de abril, preparatório para o pico de demanda no verão.
Preços de mercado mais recentes
Futuros do petróleo Brent fecharam em alta de US$0,90 (1,33%) a US$68,65 o barril na sessão referida pela Reuters.
Análise: impacto para o brasileiro
- Petróleo mais barato tende a pressionar para baixo os preços de combustíveis no atacado e, com algum atraso, nas bombas. A redução nos cracks de diesel e gasolina estimada pelo Citi (US$5-10) pode refletir em margens menores para refinarias e distribuidores.
- Se a OPEP+ aumentar oferta para conter preços, o efeito de alívio pode ser ampliado, mas depende do câmbio e de impostos que incidem sobre combustíveis no Brasil.
- Compras chinesas de petróleo com desconto podem manter volumes disponíveis no mercado internacional, limitando alta adicional, mas a dinâmica política (sancoes e negociações) será o fator decisivo para direção dos preços.
Use a calculadora de combustíveis do Tudo Cálculo para estimar quanto uma variação no preço do barril pode alterar o preço por litro na bomba, considerando impostos e margem.
Cronologia resumida
Eventos recentes
Alta do Brent
Brent sobe de cerca de US$60 para quase US$70/bbl.
Proposta da UE
UE propõe estender sanções a portos na Geórgia e Indonésia que movimentam petróleo russo.
Análise do Citi
Citi afirma que acordos de paz até o verão podem reduzir preços; OPEP+ pode aumentar oferta a partir de abril.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns
Sanções que atingem exportações restringem a oferta disponível no mercado global, pressionando os preços para cima quando a demanda se mantém.
Cracks são margens entre o preço do barril bruto e os preços dos derivados (como diesel e gasolina). Reduções nos cracks indicam margens menores para refinarias.
A transmissão aos preços finais depende de fatores locais: câmbio, impostos, margens e ajustes de distribuição. Mesmo com queda do Brent, pode haver defasagem.
Fonte: reportagem da Reuters publicada no InfoMoney (16/02/2026).