Polar Capital abandona ações de software ante avanço da IA no mercado
O Polar Capital, fundo global de tecnologia com cerca de US$ 12 bilhões sob gestão, reduziu fortemente posições em software de aplicação por temer que modelos de IA tornem grande parte desses negócios obsoletos, segundo reportagem da Bloomberg publicada no InfoMoney.
O gestor Nick Evans, responsável por um fundo de tecnologia que já superou 99% dos pares em um ano e 97% em cinco anos, tomou a decisão de vender a maior parte das participações em empresas de software de aplicação. A mudança reflete a avaliação da equipe de gestão de que ferramentas de inteligência artificial avançadas podem desencadear uma disrupção profunda no modelo de negócio tradicional do software.
Por que o gestor está vendendo software
Segundo a reportagem da Bloomberg (reproduzida no InfoMoney), Evans e sua equipe acreditam que o software de aplicação — o que ajuda usuários a executar tarefas como escrever documentos, gerir folha de pagamento ou operar fluxos comerciais — enfrenta uma "ameaça existencial" da inteligência artificial. Ferramentas de IA cada vez mais capazes, incluindo produtos como o Claude Cowork, da Anthropic PBC, podem permitir que clientes e concorrentes criem internamente funcionalidades que hoje são fornecidas por empresas de software.
"Acreditamos que o software de aplicação enfrenta uma ameaça existencial da IA."
Evans afirma que as ferramentas de codificação por IA já conseguem replicar e modificar grande parte do software existente, ampliando a concorrência e reduzindo barreiras para que grandes clientes desenvolvam soluções internas ou adotem ofertas de startups de IA.
Quais posições foram vendidas e quais permaneceram
O gestor vendeu a maior parte das participações em nomes tradicionais de software — entre eles SAP, ServiceNow, Adobe e HubSpot — mantendo apenas uma pequena posição e algumas opções de compra na Microsoft. Ele declarou que não pretende reinvestir nessas empresas de aplicação no curto prazo.
Para onde foi o dinheiro
Sete das dez maiores posições do fundo no fim de janeiro eram de empresas de semicondutores, com a Nvidia ocupando quase 10% do portfólio. Além de chips, o fundo aumentou exposição a fornecedores de equipamentos de rede, fibra óptica e empresas que entregam infraestrutura de energia para data centers.
Evans também ampliou posições em software de infraestrutura, citando empresas como Cloudflare e Snowflake, e mantém uma visão neutra sobre empresas de ciberseguranca, que considera menos expostas à disrupção imediata pela IA.
Riscos financeiros e operacionais para empresas de software
A queda de mercado causada pela percepção de risco da IA pode gerar efeitos adicionais de caixa para empresas de software. Muitos funcionários recebem ações como parte da remuneração; se essas ações valorizarem menos, as empresas podem precisar desembolsar mais em dinheiro para compensar ganhos ou retenção. Além disso, esforços para comprar startups de IA com o objetivo de preservar crescimento podem aumentar pressão sobre fluxo de caixa livre.
Evans afirma que os preços atuais de mercado, em sua avaliação, não incorporam adequadamente a incerteza sobre o valor terminal dessas empresas nem a potencial pressão sobre o caixa.
Sinais de mercado e opiniões divergentes
A reação do mercado tem sido desigual: um ETF que acompanha o setor de software dos EUA caiu cerca de 22% neste ano, enquanto ações de semicondutores dispararam com o aumento da demanda por capacidade de computação para IA.
Analistas do JPMorgan, mencionados na mesma matéria, sugeriram que as ações de software podem se recuperar após quedas recentes e mantêm preferência por nomes como Microsoft e ServiceNow, mostrando que há debate em Wall Street sobre a escala e o impacto final da IA sobre o setor.
Resultados positivos recentes de empresas de infraestrutura mostram demanda aquecida: Datadog reportou desempenho que fez suas ações subir mais de 10% em uma semana, e as ações da Fastly mais do que dobraram após resultados divulgados.
O que isso significa para investidores brasileiros
- Reavaliação de risco setorial: a decisão do Polar Capital reforça a ideia de que investidores precisam revisar premissas sobre crescimento e modelo de receita de empresas de software.
- Diversificacao e exposição a infraestrutura: a mudança do fundo indica preferência por empresas ligadas à cadeia de valor da IA — semicondutores, redes e energia para data centers — setores que tendem a se beneficiar do aumento de demanda por computação.
- Pressao sobre fluxo de caixa corporativo: empresas que dependem de compensacao em ações podem enfrentar aumento de custos se as ações caírem.
Investidores no Brasil devem considerar o impacto indireto em carteiras com exposição internacional a tecnologia, bem como efeitos em ETFs e fundos que replicam índices de software.
Perguntas frequentes
Perguntas Frequentes
Não todas: o gestor manteve uma pequena posição e algumas opções de compra na Microsoft, mas vendeu participações em empresas como SAP, ServiceNow, Adobe e HubSpot, segundo a Bloomberg via InfoMoney.
Modelos de IA exigem mais capacidade de processamento e memória; isso aumenta a demanda por chips avançados, favorecendo fabricantes e fornecedores da cadeia de semicondutores.
Este artigo relata a posição do Polar Capital e pontos de vista de mercado; decisões de investimento devem considerar perfil, horizonte e diversificacao. Há também analistas que acreditam em recuperação de software. Consulte um assessor financeiro.
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