Moedas de mercados emergentes mostram estabilidade incomum frente às desenvolvidas
Índices de volatilidade do JPMorgan mostram que, por quase 200 dias consecutivos, as moedas de mercados emergentes oscilaram menos do que as de países do G7. Fonte: Bloomberg, via InfoMoney.
A estabilidade relativa das moedas de mercados emergentes tem chamado atenção de investidores e analistas. Segundo levantamento publicado pela Bloomberg e repercutido pelo InfoMoney, as cotações desses países sofreram variações menores que as moedas dos países desenvolvidos por um período que se aproxima de 200 dias — o maior intervalo desde 2008 — e que, se superar 208 dias, se tornará o recorde desde 2000.
Por que as moedas emergentes estão mais estáveis
A menor oscilação observada é resultado de fatores conjunturais e estruturais, segundo a reportagem da Bloomberg. Entre os elementos apontados estão:
- Um dólar mais fraco e expectativas de afrouxamento gradual da política monetária do Federal Reserve, que reduziram a pressão sobre ativos de mercados emergentes.
- Preços elevados de commodities, que favorecem muitas economias emergentes exportadoras e sustentam receitas em moeda local.
- Fortes fluxos de capital para ativos locais, impulsionando a demanda por moedas desses países.
Essas condições também reforçam a atratividade do carry trade — estratégia que consiste em tomar empréstimos em moedas de baixo rendimento para investir em ativos de mercados emergentes com retornos mais altos — porque um ambiente de baixa volatilidade tende a reduzir o custo e o risco percebido dessa operação. Conforme declaração de Jason Pang, gestor de renda fixa da JPMorgan Asset Management em Hong Kong:
"As moedas de mercados emergentes continuam sendo uma opção de carry trade, portanto, o ambiente de volatilidade controlada continuará atraindo fluxos contínuos para ativos locais de mercados emergentes."
Fluxos de capital e desempenho recente
A Bloomberg registrou que os investidores direcionaram recursos a mercados emergentes neste ano no ritmo mais rápido para o período desde 2019, estendendo um movimento do ano anterior — que, por sua vez, foi o maior desde 2009. Esses aportes ajudaram a sustentar a valorização: um índice da Bloomberg que reúne oito moedas de mercados em desenvolvimento acumula alta de cerca de 2,8% no ano e ampliou o ganho expressivo de 17,5% do ano anterior.
Fatores estruturais favoráveis
Analistas também destacam elementos de maior robustez nos fundamentos desses mercados: melhorias macroeconômicas, crescimento relativamente superior ao observado em algumas economias desenvolvidas e reservas cambiais mais amplas, que, segundo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury Partners Ltd., ajudam a conter a volatilidade cambial.
O contraste com moedas desenvolvidas
Enquanto isso, moedas de países desenvolvidos enfrentaram maior turbulência. A volatilidade implícita do dólar americano subiu no início do ano após episódios políticos e tensões comerciais apontados pela reportagem — incluindo menções a ameaças de tarifas entre os Estados Unidos e a Europa — além da incerteza em torno de anúncios do presidente do Federal Reserve.
O iene japonês também registrou aumento de volatilidade por preocupações fiscais e pelo risco de intervenção do governo para conter movimentos excessivos da moeda. Há alertas de que o eventual desmonte do carry trade com ienes pode representar uma "bomba-relógio" para o mercado.
Alguns investidores, preocupados com o excepcionalismo americano e a trajetória fiscal dos EUA, passaram a buscar alternativas ao dólar entre moedas de mercados emergentes. Daniel Tan, gestor de portfólio da Grasshopper Asset Management, citou exemplos de moedas asiáticas que têm atraído atenção por apresentarem menor volatilidade:
"Os investidores estão de olho em moedas menos voláteis no espaço dos mercados emergentes, como o dólar de Singapura, o baht e o yuan na Ásia."
O que isso significa para o investidor brasileiro
A tendência de menor volatilidade nas moedas de mercados emergentes pode influenciar o apetite por risco global e, indiretamente, afetar o Brasil. Possíveis impactos incluem maior fluxo para ativos emergentes, sustentação de preços de commodities e efeitos sobre decisões de alocação em renda fixa e variável. Investidores locais podem acompanhar esses sinais ao avaliar exposição cambial e estratégias que dependem de diferencial de juros (carry trade) — lembrando que mudanças nos cenários externo e nas políticas monetárias podem reverter rapidamente esse quadro.
Análises e expectativas mencionadas neste texto foram relatadas pela Bloomberg e reproduzidas pelo InfoMoney; acompanhe indicadores de fluxo, preços de commodities e decisões de bancos centrais para ajustar sua carteira.
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Contexto histórico
Referência histórica
Recorde anterior que poderia ser superado se a sequência atual ultrapassar 208 dias.
Maior período recente
Até agora, o último momento em que a estabilidade relativa durou tanto foi em 2008.
Cenário atual
Índices do JPMorgan mostram quase 200 dias consecutivos de menor volatilidade das moedas emergentes frente ao G7.
Perguntas frequentes
Perguntas Frequentes
Uma combinação de dólar mais fraco, expectativas de afrouxamento do Fed, preços altos de commodities e fluxos de capital que favorecem carry trades, segundo reportagem da Bloomberg via InfoMoney.
A estabilidade reduz o risco de curto prazo, mas não elimina incertezas. Movimentos em política monetária, choques externos ou reversões de fluxo podem mudar o cenário.
Observe indicadores de volatilidade, fluxos de capital, preços de commodities e comunicados de bancos centrais. Ferramentas de renda fixa e análises de risco podem ajudar na avaliação.
Fonte: reportagem da Bloomberg, reproduzida pelo InfoMoney.